EUA voltam atrás e aceitam compromisso maior em Bali

Representantes de 190 países fecham novo acordo sobre clima.

Eric Brücher Camara, BBC

15 de dezembro de 2007 | 05h15

Em uma reviravolta inesperada na reunião sobre mudança climática das Nações Unidas (ONU) em Bali, neste sábado, os Estados Unidos aceitaram as objeções da China e da Índia, que pediram "mais ação" dos países desenvolvidos no combate ao aquecimento global.A objeção sobre a introdução da decisão de Bali - baseada na percepção de que havia uma discrepância entre os fortes compromissos exigidos dos países em desenvolvimento e uma linguagem menos específica sobre as obrigações dos países industrializados - levou a um longo intervalo na plenária.Antes de voltar atrás, a chefe da delegação americana, Paula Dobriansky, chegou a dizer que "não podia concordar" com as objeções da Índia e da China.Em seguida, a declaração foi duramente criticada por representantes de diversos outros países. Quando os americanos voltaram a pedir a palavra, ninguém esperava a mudança de rumo."Vamos seguir em frente e nos juntar ao consenso", disse Dobriansky, arrancando aplausos da plenária.Os representantes de cerca de 190 países ainda precisam aprovar na plenária, por unanimidade, várias outros pontos da pauta. No entanto, o mais polêmico era a introdução do documento que vai nortear as discussões sobre um novo acordo de combate à mudança climática até 2009.Depois da pausa, frustrado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, fez um apelo pela conclusão dos trabalhos."Estou decepcionado pela falta de progresso", afirmou o sul-coreano, que mudou os seus planos para voltar a Bali depois de uma viagem ao Timor Leste."Todos deveriam ser capazes de fazer concessões", disse Ban Ki-Moon diante da plenária com representantes de cerca de 190 paísesMinistros de vários países ficaram reunidos até o início da madrugada deste sábado para chegar a um acordo que resolvesse o impasse entre os Estados Unidos e a União Européia (UE) sobre a inclusão ou não das metas recomendadas pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).A solução encontrada foi deixar apenas uma referência ao IPCC na introdução do texto, sem falar em metas. No entanto, uma nota de rodapé vincula o documento às metas de redução de 25% a 40% da emissão de gases até 2020.Dessa forma, os Estados Unidos aceitaram as metas, e os europeus, por sua vez, abriram mão dos índices mais ambiciosos que vinham defendendo.No entanto, logo no início dos trabalhos em Bali no sábado, retomados às 8h (22h de sexta-feira em Brasília), China e Índia apresentaram suas objeções à escala das obrigações dos países desenvolvidos previstas no rascunho do documento.Irritado, o representante chinês chegou a mencionar uma "conspiração" contra os países em desenvolvimento.O clima pesado ficou evidente depois do intervalo, quando o secretário-executivo do encontro de Bali, Yvo de Boer, teve dificuldades para responder uma nova intervenção da China, que reclamou de supostas "irregularidades" na condução da plenária."O secretário...", começou De Boer, interrompendo a frase em seguida e cobrindo os olhos com a mão.O secretário interrompeu a frase três vezes até que conseguisse concluí-la."Ao retomar a plenária hoje de manhã, o secretário não sabia da existência de negociações paralelas", disse De Boer, antes de se levantar e abandonar a sala.A reunião da ONU sobre mudança climática começou no dia 3 de dezembro e deveria ter aprovado na sexta-feira um texto que deve nortear as discussões sobre o substituto do Protocolo de Kyoto.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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