EUA tentarão salvar 70.000 ovos de tartaruga do vazamento de óleo

Um trabalho assim nunca foi feito em escala semelhante

Associated Press

30 Junho 2010 | 16h17

Um esforço para salvar milhares de filhotes de tartarugas-marinhas da morte no vazamento de petróleo que atinge o Golfo do México terá início nas próximas semanas, numa tentativa desesperada de manter toda uma geração da espécie ameaçada a salvo.

 

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O Serviço de Pesca e Vida Silvestre (FWS, na sigla em inglês) federal vai coordenar o plano, que prevê a coleta de 70.000 ovos de tartaruga em até 800 ninhos enterrados nas areias da Flórida e do Alabama.

 

Um trabalho assim nunca foi feito em escala semelhante. Mas não fazer nada, dizem os especialistas, pode levar a uma mortandade sem precedentes. Há temores de que as tartarugas acabem embebidas no petróleo ou sejam envenenadas por alimentos poluídos pelo óleo.

 

"Trata-se de um esforço extraordinário em circunstâncias extraordinárias, mas se conseguirmos salvar alguns dos filhotes, valerá a pena, já que a alternativa é perder todos", disse Chuck Underwood, do FWS. "Temos um grau muito alto de certeza de que se não fizermos nada e permitirmos que essas tartarugas saiam e vão ao golfo e ao petróleo... que iremos, de fato, perder a maioria delas, se não todas".

 

Dezenas de funcionários espalham-se pela costa marcando os ninhos de tartaruga.

 

Dentro de aproximadamente dez dias, eles começarão a árdua tarefa de escavar os ninhos, usando principalmente as mãos. A escavação tem de ser lenta e delicada: além de evitar quebrar as cascas, é preciso tomar cuidado para não deslocar muito os ovos, a fim de proteger o embrião no interior.

 

Em seguida os ovos serão depositados em recipientes especiais de espuma plástica, juntamente com areia e umidade, para simular as condições no interior do ninho. Os recipientes seguirão até um armazém climatizado no Centro Espacial Kennedy, da Nasa.

 

Os ovos ficarão armazenados até que os filhotes eclodam. As pequenas tartarugas então serão levadas à costa leste da Flórida, a partir da onde poderão nadar para o Oceano Atlântico.

"Há muita incerteza no que estamos fazendo", reconhece Underwood, lembrando que o estresse do deslocamento pode matar os embriões nos ovos.

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