EUA não esperam acordo climático durante visita de Obama à China

Os Estados Unidos não esperam chegar a um acordo com a China sobre a mudança climática durante a vista do presidente Barack Obama a Pequim no próximo mês, disse nesta quarta-feira um enviado sênior sobre mudança climática dos EUA.

REUTERS

28 Outubro 2009 | 10h38

"Não acho que vamos conseguir nenhum acordo per se", disse Todd Stern, Enviado Especial dos EUA para a Mudança Climática.

"Acho que (Obama) está tentando falar com o presidente Hu para pressionar o máximo possível por um entendimento comum a fim de facilitar um acordo em Copenhague", disse Stern a repórteres.

Negociadores vão se reunir na capital dinamarquesa em dezembro para esboçar um novo acordo para reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa, já que a primeira fase do Protocolo de Kyoto vai expirar em 2012.

Os progressos nas negociações continuam lentos, com os EUA relutantes em se comprometer com um acordo que não obriga países em desenvolvimento, como a China, a concordar com as metas de redução de CO2 obrigatórias.

Os negociadores chineses também disseram que o mundo industrializado deveria suportar o peso das reduções de emissões de gás carbônico.

O encontro entre Obama e o presidente Hu Jintao, líderes dos dois maiores emissores de gases do efeito estufa do mundo, é visto como componente vital nos esforços para erguer um consenso em torno de qualquer novo pacto climático global.

Maria Cantwell, senadora democrata pelo estado de Washington, disse em Pequim no mês passado que a China e os EUA deveriam assinar um acordo bilateral durante a visita de Obama. Mas Stern disse que Washington não estava tentando chegar a um acordo separado.

Os dois governos devem discutir mais cooperação no próximo mês em questões como a captura e o armazenamento de carbono, mas as diferenças entre os dois lados tornarão difícil formular qualquer acordo substantivo, dizem analistas.

"Haverá muita conversa e muitas palavras gentis, mas eu não acho que vai se alcançar muita coisa, não pelo menos porque estamos indo para Copenhague e não acho que eles queiram mostrar o que têm nas mangas ainda", disse Paul Harris, professor de estudos do meio ambiente do Instituto de Educação de Hong Kong.

A seis semanas de Copenhague, Stern advertiu que o sucesso não estava de forma alguma garantido.

"Copenhague pode ser um sucesso", disse Stern, "Há um acordo para ser feito, mas isso não significa que o faremos."

A tentativa do governo Obama de obter seu próprio plano sobre o clima antes do final do ano deve ser crucial, sugerem analistas.

O Comitê Ambiental do Senado dos EUA está em audiências sobre uma nova lei climática esta semana. O governo de Washington está pressionando o Congresso a seguir adiante com a lei e mais adiamentos podem minar a credibilidade dos EUA durante as reuniões de Copenhague.

(Reportagem de Rujun Shen e David Stanway)

Mais conteúdo sobre:
AMBIENTE EUA CHINA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.