EUA listam urso polar entre espécies ameaçadas

Os ursos polares foram incluídos naquarta-feira na lista de espécies ameaçadas, como determina deuma lei norte-americana, devido ao degelo do seu habitatmarinho. Mas a inclusão na Lei de Espécies Ameaçadas (ESA, na siglaem inglês) não garante medidas de combate ao efeito estufaprovocado pelas atividades humanas, o que o secretário deInterior, Dirk Kempthorne, admitiu ser o principal fator deameaça ao habitat dos ursos. "Embora os padrões legais sob a Lei das Espécies Ameaças meobriguem a listar o urso polar como ameaçado, quero deixarclaro que isso não vai impedir o aquecimento global nem evitarque o gelo marinho se derreta", disse ele em entrevistacoletiva. "Qualquer solução real exige uma ação por parte de todas asgrandes economias para ser eficaz", acrescentou ele, ecoandouma posição do governo Bush nos últimos tempos -- de quegrandes países em desenvolvimento, como China e Índia, precisamse comprometer em reduzir as emissões de gases do efeitoestufa. Os ursos polares vivem apenas no Ártico e dependem do gelomarinho como plataforma para caçar focas. O Serviço Geológicodos EUA diz que dois terços dos ursos polares do mundo -- cercade 16 mil -- vão desaparecer até 2050 se as previsões sobre oderretimento das calotas polares se confirmarem. É a primeira vez que a mudança climática leva uma espécie aentrar na lista das ameaçadas nos EUA. A decisão, na véspera deum prazo judicial, foi celebrada por ambientalistas, apesar dassuas poucas consequências práticas. "Ao negar uma vinculação direta entre as fontes da poluiçãodo aquecimento global e a perda do habitat gelado marinho dourso polar, e ao negar que o urso polar seja protegido daexploração de gás e petróleo, [o governo] está simplesmente sedispondo a sentar e deixar que o urso polar se extinga", dissepor telefone John Kostyack, da Federação Nacional da VidaSelvagem. A decisão do governo deveria ter saído em janeiro, mas foiadiada sob a alegação de que não havia tempo para avaliartantos dados científicos envolvidos. Em fevereiro, oDepartamento de Interior vendeu por 2,66 bilhões de dólares osdireitos de exploração de gás e petróleo numa área de 12milhões de hectares na costa do Alasca, importante habitat deursos polares. No Canadá, onde vivem dois terços dos ursos polares, ogoverno sinalizou que não pretende seguir a iniciativa dos EUA.O primeiro-ministro do território de Nunavut, Paul Okalik,lamentou em nota que os EUA tenham "decidido ignorar fatosrecolhidos por aqueles que têm maior contato e mais históriacom os ursos polares". Segundo ele, "a verdade é que as populações de ursospolares estão em níveis quase recordes". Há cerca de 15 milursos polares no território de Nunavut, terra do povo inuit(esquimó). (Reportagem de Deborah Zabarenko, em Washington, DavidLjunggren e Louise Egan, em Ottawa)

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