EUA criticam diferenciação entre ricos e pobres na Convenção do Clima em Doha

China defende que só países industrializados tenham metas obrigatórias de redução de emissões

Agência Estado

03 Dezembro 2012 | 16h10

Os Estados Unidos questionaram nesta segunda-feira a visão da China sobre como dividir as responsabilidades de reduzir a emissão de carbono no mundo, alegando que a divisão entre pobres e ricos, típica dos acordos passados sobre clima, não tem mais espaço no futuro pacto da luta contra o aquecimento global.

O enviado dos EUA às negociações internacionais sobre clima na COP 18, em Doha, Todd Stern, afirmou que o próximo acordo deve se basear em considerações do "mundo real" em vez de "uma ideologia que indica que vamos desenhar uma linha no meio do mundo".

Pequim quer manter a divisão entre países desenvolvidos e nações em desenvolvimento, impondo regras mais brandas sobre o corte de emissão de gases para os países mais pobres. O gigante asiático nota que apesar de seu grande crescimento, milhões de chineses ainda vivem na pobreza. A China defende que a imposição de limites de emissão poderia desacelerar a expansão econômica que poderia melhorar a vida dos civis.

O acordo climático é uma das principais questões em discussão nas negociações lideradas pela Organização das Nações Unidas (ONU), que entraram em sua segunda semana. No ano passado, governos fizeram um acordo sobre as medidas que deverão ser adotadas em 2015 e produzirão efeitos cinco anos mais tarde.

Os EUA não aderiram ao único acordo que atualizava os limites de emissão até hoje, o Protocolo de Kyoto, de 1997. O país não aceitou que o Protocolo só cobrisse países industrializados e não grandes Estados em desenvolvimento como Índia e China, que agora é o maior emissor mundial de carbono em termos absolutos.

A disputa não será resolvida em Doha, onde negociadores estão se concentrando em outras questões, incluindo a ajuda para que os países pobres consigam aplicar energia renovável e proteger-se do aumento do níveis do mar, além de outros efeitos do aquecimento global.

Os integrantes das negociações também planejam ampliar o acordo de Kyoto, que expira este ano, até que um novo tratado entre em vigor. Mas vários países, incluindo Japão e Nova Zelândia não querem ser parte da nova extensão, o que significa que só vai englobar as nações europeias e a Austrália, menos de 15% das emissões globais.

As negociações sobre o clima estão programadas para terminar na sexta-feira. As informações são da Associated Press.

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