EUA afirmam que metas climáticas precisam ser factíveis

'Eu acho que provavelmente (cortes de) 40 ou 30% seriam agressivos demais', disse secretário de Energia

Reuters e Efe

15 Setembro 2009 | 18h20

As nações envolvidas nas negociações de um novo tratado climático global precisam focar a adoção de metas factíveis de redução das emissões de gases do efeito estufa, para envolver o máximo possível de países, disse nesta terça-feira o secretário de Energia dos EUA, Steven Chu.

 

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O novo tratado deve ser adotado em dezembro numa reunião da ONU em Copenhague, para substituir o Protocolo de Kyoto depois de 2012.

Os países em desenvolvimento querem que as nações ricas reduzam até 2020 suas emissões em 25 a 40% em relação aos níveis de 1990, como forma de evitar os piores efeitos do aquecimento. Mas muitos países industrializados temem que tal redução seja inviável, especialmente num momento de crise econômica.

"O que os EUA podem trazer e podem aceitar certamente não se sabe, mas eu acho que provavelmente (cortes de) 40 ou 30 por cento seriam agressivos demais para 2020 para os EUA", disse Chu a jornalistas em Viena. "Se olharmos para a história de Kyoto, onde muitos países assinaram e muitos dos países não cumpriram suas metas, é preciso ver como realmente chegar lá", afirmou.

De acordo com ele, seria difícil aprovar tal meta no Senado dos EUA, e é importante que as metas adotadas sejam realistas, inclusive para dar um exemplo e derrubar o mito de que políticas "limpas" prejudicariam o desenvolvimento econômico. "Se você consegue todos esse ganhos nos primeiros 20, 30 por cento de redução (nas emissões) de carbono só usando a energia de forma eficiente, pode ensinar às pessoas que há um caminho", afirmou.

Os EUA - segundo maior emissor global de carbono, atrás da China - propõe reduzir suas emissões até 2020 para 14% a menos do que em 2007, o que significaria uma volta aos níveis de 1990.

Chu admitiu que, se os países não definirem metas ambiciosas em breve, terão de ser mais agressivos depois para evitar os piores efeitos da mudança climática. "Se eu acho que o mundo desenvolvido pode diminuir suas emissões de carbono em 20, 30, 40%? Sim. Acho que é uma meta muitíssimo agressiva, (mas) é factível."

Chu disse que o resultado da reunião de Copenhague não pode ser tão fraco a ponto de que ela seja considerada uma perda de tempo, mas acrescentou que o evento não deve ser visto como uma última chance de agir contra o aquecimento global. "Se eu digo para esperarmos para que (a mudança climática) seja avassaladora? Não. É preciso trazer mais pessoas, então não vamos partir do princípio de que é agora ou nunca", afirmou.

 

Banco Mundial

 

O problema da mudança climática só será resolvido se o investimento em pesquisa e desenvolvimento oscilar entre US$ 100 bilhões e US$ 700 bilhões anuais nas próximas décadas, afirmou nesta terça-feira, 15, o Banco Mundial (BM).

 

Esses investimentos, necessários para transformar os sistemas energéticos mundiais, representam um grande aumento frente aos US$ 13 bilhões anuais de recursos públicos e aos entre US$ 40 bilhões e US$ 60 bilhões de recursos privados investidos atualmente, afirma um estudo publicado hoje pelo BM.

 

"Os US$ 13 bilhões de dinheiro público que são investidos anualmente em pesquisa e desenvolvimento são muito pouco", disse à Agência Efe Marianne Fay, codiretora do Relatório de Desenvolvimento Mundial 2010, que este ano se concentra na mudança climática. "Isso é mais ou menos o que gastam a cada ano os americanos em comida para animais de estimação ou o que meu país, a França, gasta em queijo", afirmou a economista do Banco Mundial.

 

O Banco Mundial insistiu em que a crise financeira não pode ser uma desculpa para relegar a mudança climática a um segundo plano. O documento destaca que, embora as crises financeiras possam provocar grandes danos e desacelerar o crescimento a curto e médio prazo, raramente duram mais do que alguns anos.

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