EUA admitem aumento de temperatura superior a 2°C

Temperatura já subiu 0,8°C

Giovana Girardi, com Reuters,

07 Agosto 2012 | 21h35

SÃO PAULO - Os Estados Unidos, conhecidos por atravancarem ano após ano as negociações climáticas em suas negativas de aceitarem metas para a redução de gases de efeito estufa, conseguiram ficar numa situação ainda pior nesta semana.

O principal negociador americano nas discussões de mudanças climáticas, o diplomata Todd Stern, sugeriu que a temperatura global poderia subir mais que os 2°C considerados limite para que o aquecimento global não seja ainda mais dramático do que já é esperado. A temperatura já subiu 0,8°C.

O objetivo, proposto por cientistas no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e abraçado pela Organização das Nações Unidas, foi acordado pelos líderes de quase 200 países presentes na Conferência do Clima de Copenhague, em 2009, entre eles o presidente americano, Barack Obama.

Mas, na semana passada, em evento no Dartmouth College (em Hanover, EUA), Stern sugeriu que o novo acordo climático, previsto para ser estabelecido em 2015, permita que os países tenham flexibilidade em "modificar e atualizar seus compromissos de mitigação" dos gases-estufa. Em seguida, afirmou: "Este tipo de flexibilidade, envolvendo acordos legal, pode não garantir que vamos alcançar o objetivo dos 2°C, mas insistir nessa estrutura que garantiria este objetivo, vai apenas nos levar a um impasse".

As críticas foram imediatas, principalmente dos países europeus e nações insulares que temem desaparecer diante da eventual elevação do nível do mar. "O que os líderes prometerem (em Copenhague) deve ser entregue", declarou Isaac Valero-Landron, porta-voz do Comissariado Europeu para a Ação pelo Clima. "É chocante para nós que este retrocesso no objetivo global ocorra enquanto as Filipinas sofrem exatamente do tipo de desastre de extremo climático que vai se tornar mais frequente e mais forte conforme a temperatura sobe", afirmou Lidy Nacpil, diretora do Jubile South, movimento do Pacífico sobre desenvolvimento.

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