Mácio Ferreira/Agência Pará
Mácio Ferreira/Agência Pará

Estudos da Hydro Alunorte foram realizados 34 dias após desastre no Pará

Alerta foi feito pelo Instituto Evandro Chagas, que fez estudos que apontaram contaminação dos rios de Barcarena, após vazamento na refinaria de bauxita

André Borges, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2018 | 12h22

BRASÍLIA – Os estudos da empresa de consultoria SGW, contratada pela Hydro Alunorte para investigar o vazamento de efluentes na refinaria de bauxita em Barcarena, no Pará, foram realizados apenas 34 dias após a ocorrência do vazamento.

As informações foram divulgadas pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), órgão vinculado ao Ministério da Saúde e responsável pelos estudos que confirmaram as contaminações. Nessa segunda, 9, a Hydro Alunorte divulgou os relatórios da SGW para afirmar que “não existe indicação de contaminação proveniente da Alunorte após chuvas" na região.

Segundo o IEC, as coletas de águas superficiais foram realizadas pela consultoria privada SGW nos dias 23 e 24 de março, mais de um mês após o vazamento ocorrido no dia 17 de fevereiro. Além disso, as coletas foram feitas em pontos do Rio Murucupi que não têm influência de esgotamento sanitário ou outros empreendimentos industriais. As constatações se baseiam em dados da própria SGW.

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Ainda assim, afirmou o IEC, as análises apontaram índices de alumínio dissolvido sete vezes acima do recomendado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente.

“Em função do alto índice de chuvas na região e do fluxo natural do Rio Murucupi, seria muito improvável que a SGW encontrasse os mesmos resultados do IEC em amostras coletadas 34 dias mais tarde. No entanto, apesar do lapso temporal, entendemos que o teor 7x acima do recomendado pelo Conama 357 nessa área, corrobora o quadro registrado nesse local pelo IEC nas semanas anteriores”, declarou o instituto.

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Na segunda, a Justiça do Pará ratificou as análises publicadas pelo IEC e determinou que a empresa apresente plano de ação para recuperação da área afetada no prazo de 60 dias. A Justiça pediu ainda que seja depositado em juízo, no prazo de 30 dias, a quantia de R$ 150 milhões, ou apresentação de garantia deste valor. Caso a empresa descumpra, foi fixada multa diária de R$ 100 mil, até o limite de R$ 500 milhões.

No dia 19 de março, o diretor-executivo da Hydro Alunorte, Svein Richard Brandtzaeg, havia pedido desculpas, reconhecendo que a empresa derramou água de chuva e de superfície não tratada no Rio Pará.

Procurada pela reportagem, a SGW se negou a dar detalhes de seu trabalho e informou que não vai comentar seus estudos.

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