Estudo sugere como reencontrar espécies desaparecidas

Pode ser mais fácil redescobrir espécies que desaparecem por falta de habitat

Reuters,

29 de setembro de 2010 | 12h36

CINGAPURA - Mais de um terço das espécies de mamíferos consideradas extintas ou desaparecidas foram redescobertas, diz estudo, e muito esforço é desperdiçado na tentativa de encontrar espécies que não têm chance de serem encontradas novamente.

 

Espécies enfrentam um ritmo acelerado de extinção por causa da poluição, alterações climáticas, perda de habitat e caça. Esta taxa de perda está colocando os ecossistemas e as economias em risco cada vez maior, segundo as Nações Unidas.

 

Pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, disseram que uma maior compreensão dos padrões de extinção poderia canalizar mais recursos para encontrar e proteger as espécies listadas como desaparecidas, antes que seja tarde demais.

 

"No passado, as pessoas ficavam muito felizes em ver cada uma das espécies encontradas de novo, mas elas não enxergavam a situação de uma maneira ampla", disse Diana Fisher, pesquisadora da universidade e autor do estudo, à Reuters.

 

Fisher e seu colega, Simon Blomberg, estudaram dados sobre as taxas de redescoberta de mamíferos desaparecidos para ver se as diversas causas de extinção são igualmente detectáveis. Eles também queriam ver quais fatores afetam a probabilidade de redescoberta.

 

Eles descobriram que as espécies afetadas pela perda de habitat eram muito mais suscetíveis de serem erroneamente classificadas como extintas, ou a permanecer desaparecidas, do que as afetadas pela introdução de predadores e doenças.

 

 

"É mais provável que as maiores taxas de redescoberta virão de buscas de espécies que desapareceram durante o século XX e sofrem ameaças relativamente grandes por perda de habitat", argumentam no relatório do da revista Proceedings Royal Society B.

 

A ONU abriga uma importante reunião no Japão, no próximo mês, na qual espera-se que os países cheguem a acordo sobre uma série de metas para 2020 para combater a extinção de plantas e animais importantes para fornecer ar puro e água, medicamentos e cultivos.

 

"Recursos de conservação são desperdiçados em busca de espécies que não têm chance de redescoberta, embora a maioria das espécies desaparecidas não receba atenção", dizem os autores, apontando os esforços para tentar encontrar o tigre da Tasmânia.

 

O último tigre da Tasmânia vivo conhecido, caçador marsupial do tamanho de um cachorro, morreu em 1936, em um zoológico.

 

Fisher disse à Reuters que esforços para encontrar espécies desaparecidas levaram a histórias de sucesso de animais e plantas que estão sendo redescobertos, e à criação de programas de proteção.

 

Mas as redescobertas afetam muito pouco a taxa de perda de espécies em geral, Fisher disse por telefone.

 

"O número de adições a cada ano supera o número dos que foram redescobertos. Há ainda uma aceleração na taxa extinção de mamíferos a cada ano."

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