David Gray/Reuters
David Gray/Reuters

Estudo revela por que tartarugas verdes na Austrália deixaram de criar machos

Sexo é determinado pela temperatura de incubação dos ovos, sendo fêmeas aquelas que se incubam em um ninho mais quente

O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2018 | 19h58

GENEBRA - Um estudo elaborado pela WWF revelou nesta segunda-feira, 8, que o aumento da temperatura contribui para que a composição das colônias de tartarugas verdes do norte da Grande Barreira de Coral, na Austrália, esteja dominada por fêmeas e que a cria de machos é muito pequena nessa zona.

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Esta é uma das comunidades mais importantes do mundo, já que agrupa cerca de 200 mil fêmeas reprodutoras, ainda que a WWF advirta, em um comunicado, que poderia entrar em colapso sem a presença de mais machos.

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O sexo desses animais é determinado pela temperatura de incubação dos ovos, sendo fêmeas aquelas que se incubam em um ninho mais quente.

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A partir disso, o estudo concluiu que o aumento das temperaturas no norte de Queensland, na Austrália, vinculado à mudança climática, é o motivo do crescimento da população feminina.

Para identificar o sexo e sua origem de nidificação, os cientistas capturaram tartarugas verdes no Arquipélago de Howick, onde as alimentaram e fizeram exames genéticos e de endocrinologia.

A pesquisa revelou que entre as tartarugas verdes procedentes das praias do norte, 86,8% eram fêmeas enquanto o porcentual das fêmeas procedentes das praias mais frias do sul é mais moderado, entre 65% e 69%.

Um dos autores do estudo, o doutor Michael Jensen, assegurou que as tartarugas verdes do norte da Grande Barreira de Coral estiveram produzindo principalmente fêmeas durante mais de duas décadas, "o que resulta em um viés extremo".

 

"Este estudo é muito importante porque proporciona uma nova compreensão sobre o que estas populações estão vivendo", acrescentou Jensen. "Conhecer a proporção atual de fêmeas em idade adulta e reprodutora e como isto pode afetar dentro de 5, 10 e 20 anos quando as crias tenham crescido pode ser muito valioso."

O estudo foi realizado através da WWF Austrália e contou com a colaboração da diretora do projeto de espécies marinhas do WWF, Christine Hof. /EFE

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