Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Estudo mostra que lama de Mariana atingiu Abrolhos sete meses após tragédia

Rompimento de barragem lançou mais de 50 milhões de m³ de rejeitos no Rio Doce; impactos total do estrago ambiental ainda são desconhecidos

André Borges, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2019 | 10h18

BRASÍLIA - Um estudo científico publicado na última quinta-feira, 29, pela revista técnica ScienceDirect, da editora anglo-holandesa Elsevier, mostrou que a lama da barragem de Mariana, em Minas Gerais - estrutura da mineradora Samarco que se rompeu em 5 de novembro de 2015 -, atingiu os corais do Parque Nacional de Abrolhos. Um sistema remoto de vigilância, que inclui dados sobre ventos, temperatura da superfície do mar e o total do material em suspensão na água, além de sua coloração, segundo os pesquisadores, "indicou que a pluma de rejeitos de ferro atingiu a porção sul do Banco Abrolhos em 16 de junho de 2016", ou seja, mais de sete meses depois da catástrofe.

A tragédia lançou mais de 50 milhões de metros cúbicos de lama no Rio Doce. Os pesquisadores lembram que os rejeitos de minérios de ferro ainda invadiam o oceano 17 dias depois do rompimento. Afirmam ainda que os impactos do estrago ambiental ainda são desconhecidos.

"Para obter mais evidências da presença de rejeitos dos recifes de coral, amostras de água foram coletadas em uma área que abrange o estuário do rio até os recifes no sul do Banco Abrolhos", afirmam os pesquisadores. 

Eles analisaram "a composição isotópica e microbiana das amostras, bem como a composição dos recifes". 

"Apesar de não haver pistas de impacto negativo nas comunidades de corais, a análise isotópica confirmou a presença da pluma na área de recifes."

O estudo servirá como base para futuras avaliações de impacto em longo prazo nos recifes de coral no banco de Abrolhos. O trabalho é assinado por um total de 15 pesquisadores.

No início deste ano, uma pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) apontou que lama de rejeitos da barragem tinha chegado ao Parque de Abrolhos. O levantamento detectou a presença de metais na região, como zinco e cobre.

O banco compreende uma área de 32 mil quilômetros quadrados de água rasa, com recifes de coral e manguezais, entre a Bahia e o Espírito Santo. Vazamentos no local atingiriam ainda e, em poucas horas, manguezais e recifes de corais, comprometendo a fauna e pesqueiros relevantes da região para pesca artesanal.

Na região está o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, onde ocorrem espécies endêmicas. Aves, tartarugas e baleias também habitam o local.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.