Estudo diz que não há relação direta entre aquecimento e extinção de espécies

Pesquisadores analisaram 136 estudos sobre a influência do aumento do clima em extinções

Efe

17 Outubro 2012 | 10h48

LONDRES - O aquecimento não é o fator da mudança climática que mais influencia na extinção local das espécies, que se veem mais prejudicadas por outros fatores, segundo um estudo publicado nesta terça-feira, 16.

O aquecimento global altera o equilíbrio da natureza, o que, por sua vez, pode provocar o desaparecimento das espécies, mas não existe uma relação direta entre a elevação das temperaturas e a extinção local de seres vivos, explicou John Wiens, da Universidade Stony Brook de Nova York e autor principal do trabalho.

Esta é a conclusão principal de um artigo publicado pela revista científica britânica Proceedings of the Royal Society B, no qual pesquisadores americanos analisaram os resultados de 136 estudos prévios que sugeriam uma relação direta entre mudança climática e extinção local. No entanto, só puderam identificar uma causa em sete deles, e nenhuma foi devido a um aumento das temperaturas.

Por outro lado, estas extinções poderiam dever-se a uma alteração no equilíbrio entre presas e predadores, a uma diminuição de espécies polinizadoras, à maior propagação de doenças, a dificuldades para acasalar-se ou a outros desequilíbrios de seu habitat provocados por mudanças no regime de chuvas.

"Dúzias de estudos demonstraram que as extinções locais parecem estar associadas à mudança climática. Na maioria dos casos, a causa principal do declive no número de exemplares não foi identificada, o que ressalta quão limitado é nosso conhecimento neste tema crucial", afirmou Wiens.

O especialista ressaltou que estes resultados são, além disso, coerentes com outras sete pesquisas anteriores sobre espécies ameaçadas.

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