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Estudo da Nasa indica 14 ações para lidar com as mudanças climáticas

Segundo pesquisadores, medidas poderiam diminuir o ritmo do aquecimento global, melhorar a saúde das pessoas e ainda aumentar a produção agrícola universal

Estadão.com.br,

13 Janeiro 2012 | 19h16

Um novo estudo da Agência Espacial Americana (Nasa) apresenta as 14 principais medidas para controlar a poluição do ar que, se implementadas, poderiam diminuir o ritmo do aquecimento global, melhorar a saúde das pessoas e ainda aumentar a produção agrícola universal. O estudo está publicado na mais recente edição da revista Science e foi baseado em um relatório ambiental das Nações Unidas, também liderado por Shindell e publicado no ano passado.

 

"Nós estamos mostrando que a implementação de reduções práticas de emissões específicas poderiam maximizar os benefícios do clima, da saúde humana e da agricultura", disse o líder da pesquisa, Drew Shindell, do Instituto Goddard para Estudos do Espaço (GISS, na sigla em inglês), da Nasa.  

 

De acordo com o texto, a adoção destas medidas auxiliaria na diminuição significativa do aquecimento global, chegando a 0,9º C (0,5 º C) até 2050, além de aumentar o rendimento agrícola em até 135 milhões de toneladas por safra e evitar centenas de milhares de mortes prematuras a cada ano. Para os estudiosos, todas as regiões do planeta poderão sentir os efeitos positivos dessas mudanças.

Shindell e sua equipe consideraram cerca de 400 medidas de controle, baseados nas tecnologias avaliadas pelo Instituto Internacional para Análise Aplicada de Sistemas, em Laxenburg, na Áustria, e chegaram ao número final de 14. Todas tratam da diminuição de poluentes que agravam a mudança climática e colocam em risco a saúde humana e vegetal - seja diretamente ou por levar à formação de ozônio.

Entre os principais poluentes estão o carbono negro e o metano. O primeiro deles é produto da queima de combustíveis fósseis ou de biomassa, como madeira ou esterco, e pode agravar uma série de doenças respiratórias e cardiovasculares. Já o metano é uma substância incolor e inflamável que funciona como potente gás estufa e precursor do ozônio troposférico. Vale recordar que o ozônio é um componente chave dos nevoeiros contaminados por fumaça e dos gases de efeito estufa, que causam graves danos à saúde humana.

Embora o dióxido de carbono seja o principal condutor do aquecimento global a longo prazo, o carbono negro e o metano são ações complementares que teriam um impacto mais imediato, já que ambos circulam fora da atmosfera mais rapidamente.

Para a equipe de estudo de Shindell, as ações de controle oferecem maior proteção contra o aquecimento global para países como Rússia, Tadjiquistão e Quirguistão, em que existem grandes áreas cobertas por neve ou gelo. Irã, Paquistão e Jordânia experimentariam a melhoria na produção agrícola, enquanto os países do sul da Ásia e da região desértica do Sahel, na África, veriam mudanças benéficas nos padrões de precipitação. Já os países do sul da Ásia, como Índia, Bangladesh e Nepal, acompanhariam reduções significativas no número de mortes prematuras. Segundo o estudo, entre 700 mil e 4,7 milhões de mortes prematuras poderiam ser evitadas por ano, em todo o mundo.

"Proteger a saúde pública e o abastecimento de alimentos são ações ligadas às alterações climáticas ocorridas na maioria dos países" disse Shindell. "Sabendo disso, podemos motivar os governos a colocar em prática essas medidas", explica.

Veja mais informações, imagens e infográficos sobre o estudo no site da Nasa.

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