Estudo com GPS revela hábitos migratórios de pássaros

Os dados assinalaram que as aves podem voar mais de 500 quilômetros em um só dia, superando expectativas

EFE,

12 Fevereiro 2009 | 17h20

Os pequenos pássaros canoros (que cantam) voam mais rápido e em território mais extenso do que o imaginado até agora, percorrendo enormes distâncias entre Brasil e Estados Unidos em uma só temporada de migração, afirma um estudo realizado por cientistas canadenses e divulgado pela revista Science.   Para determinar os hábitos migratórios destas aves, os cientistas instalaram dispositivos de posicionamento global (GPS) nelas.   "Nunca antes havia sido possível traçar o deslocamento desses pássaros durante toda sua viagem migratória", disse Bridget Stutchbury, professora de biologia da Faculdade de Ciências e Engenharia da Universidade de York.   Segundo ela, este estudo não pôde ser realizado antes porque os pássaros canoros são muito abundantes, mas pequenos demais para serem localizados por satélites.   A equipe de cientistas comandada por ela instalou os dispositivos em 14 tordos e 20 andorinhas na Pensilvânia e seguiu sua rota migratória até a América do Sul, incluindo seu retorno.   Os dados assinalaram que as aves podem voar mais de 500 quilômetros em um só dia, o que derrubou a suposição de que sua capacidade de voo se limitava a 150 quilômetros diários.   Além disso, determinou que elas voam de duas a seis vezes mais rápido na primavera do que no outono. Como exemplo, o estudou citou o caso de um tordo que demorou 43 dias para chegar ao Brasil, mas, ao voltar na primavera ao ponto de sua partida, demorou apenas13 dias.   Os cientistas também descobriram que as aves fazem prolongadas escalas.   Segundo o estudo, patrocinado pela National Geographic Society, as andorinhas ficaram de três a quatro semanas na península de Yucatán (México) antes de seguir viagem até o Brasil.   Por sua vez, quatro tordos pararam de uma a duas semanas no sudeste dos Estados Unidos, no fim de outubro, antes de atravessar o Golfo do México e, além disso, a pesquisa provou que eles não se separam quando migram.    Segundo Stutchbury, "localizar os pássaros em suas rotas de migração é essencial para prever o impacto da perda do hábitat tropical e da mudança climática" no ecossistema que eles integram.

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