Estudo aponta influência política sobre projetos climáticos

A política tem um papel "claramentesignificativo" sobre as decisões tomadas pelo chamado Mecanismode Desenvolvimento Limpo (MDL), estabelecido pelo Protocolo deKyoto e administrado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Pesquisadores da Universidade de Zurique examinaram milprojetos submetidos ao Conselho Executivo do MDL, todosrelativos à redução das emissões de gases do efeito estufa. O relatório concluiu que havia favorecimento a projetos depaíses representados no conselho, que tem 20 membros (veja osatuais em http://cdm.unfccc.int/EB/Members). Projetos de países com mais emissões de gases do efeitoestufa também tinham mais chances de aprovação, e oenvolvimento do Banco Mundial também facilitava o processo. "Vemos uma influência política nas decisões do conselhoexecutivo, mas não é tão avassaladora quanto pintam alguns",disse à Reuters Axel Michaelowa, um dos autores do estudo. "O sistema existente parece funcionar bastante bem...,porque o que determina as decisões do conselho executivo pareceser a qualidade", afirmou. O MDL permite que empresas e governos de países ricosinvistam em projetos de energia limpa nos países emdesenvolvimento, para em troca receber créditos que podem servendidos ou usados para cumprir as metas de reduções deemissões estabelecidas no Protocolo de Kyoto. O mercado relativo ao MDL mais do que dobrou no anopassado, atingindo 13 bilhões de dólares, segundo um relatóriodo Banco Mundial publicado neste mês. Mas esse mecanismo é visto com ressalvas, especialmentedevido a dúvidas sobre a "adicionalidade" -- ou seja, se umprojeto seria viável financeiramente sem a perspectiva dereceber créditos do MDL. Em novembro, o grupo ambientalista WWF disse que um em cadacinco créditos se destina a projetos do MDL que carecem de"adicionalidade". Uma vez que esses créditos podem ser vendidospara gerar lucro para grandes poluidores em países ricos,créditos do MDL que não sejam "adicionais" estão essencialmentecontribuindo com o aumento das emissões de gases do efeitoestufa. À luz dessas acusações, o relatório encontrou "provasaltamente consistentes" de que o conselho está sendo maisrígido nos últimos tempos, limitando o registro de projetos"não-adicionais". Apesar disso, Michaelowa vê espaço para aperfeiçoamentos."A recomendação política para a melhora do MDL seria torná-lo omais transparente possível", disse ele. O estudo completo da Universidade de Zurique e outrasanálises sobre o mercado de carbono, em inglês, estãodisponíveis no site http://www.reutersinteractive.com

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