Estudo aponta crise nos rios do mundo

Os rios do mundo estão em crise, inclusive na América do Norte e na Europa, onde os governos já investiram trilhões de dólares para recuperar as fontes de água doce, segundo um estudo divulgado na quarta-feira. 

ALISTER DOYLE, REUTERS

29 de setembro de 2010 | 20h10

 

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"As ameaças à segurança hídrica humana e à diversidade biológica são pandêmicas", disse à Reuters Charles Vorosmarty, da City University, de Nova York, um dos autores do estudo publicado na revista Nature.

A equipe internacional de cientistas estima que quase 80 por cento da população mundial -- ou cerca de 5 bilhões de pessoas -- vivam em áreas com altíssimos níveis de ameaça à segurança hídrica, causada principalmente pela má gestão dos rios e pela poluição.

Um mapa mostra que a ameaça é gravíssima em grande parte dos Estados Unidos, inclusive na bacia do Mississippi, e em quase toda a Europa. A Índia, inclusive a bacia do Ganges, e o leste da China, com o rio Yangtze, também aparecem marcados em vermelho no mapa.

O aumento da prosperidade também implica um agravamento das ameaças, por causa de represas instaladas no lugar errado ou do aumento da poluição por fertilizantes, pesticidas e outros produtos químicos, por exemplo. Os países ricos então acobertam a má gestão dos recursos instalando caríssimas usinas de tratamento da água.

Os autores disseram que as formas de proteção dos rios deveriam ser repensadas, especialmente nas bacias ainda menos afetadas, nos países em desenvolvimento.

O estudo diz ter sido o primeiro a examinar detalhadamente dois conjuntos de ameaças -- ao abastecimento de água potável para as pessoas e à biodiversidade.

"Diante das tendências de escalada na extinção de espécies, na população humana, na mudança climática, no uso da água e nas pressões pelo desenvolvimento, os sistemas de água doce vão continuar sob ameaça num futuro bem longínquo", escreveram os cientistas.

Os rios menos afetados ficam na Sibéria, Canadá, Alasca, Amazônia e norte da Austrália. Partes das bacias do Amazonas, Congo e Nilo têm baixos níveis de ameaça.

Um caso citado positivamente é o da prefeitura de Nova York, que comprou uma área dos montes Catskills para obter água filtrada naturalmente, pois isso é mais barato do que construir uma usina de tratamento.

Os autores disseram que os políticos vão levar décadas para se engajarem suficientemente na solução dos problemas. "Enquanto isso, uma fração substancial da população mundial e incontáveis espécies de água doce continuam em perigo", escreveram.

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