‘Estamos queimando nossa riqueza biológica’

“Estamos sentados num baú de ouro e não sabemos o que fazer com ele”, disse ontem o gerente de conservação da biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Braulio Dias. O baú de ouro, no caso, é a biodiversidade brasileira – que é a maior do mundo, mas fica um pouco menor a cada dia, com o avanço do desmatamento em todos os biomas. “Não sabemos aproveitar essa riqueza. E pior, estamos queimando-a”, completou Dias, em referência à onda de queimadas que sufoca o País há mais de um mês.

O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2010 | 13h54

 

Promover o uso sustentável da biodiversidade – além da necessidade básica de preservá-la – é um dos objetivos da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da Organização das Nações Unidas, que fará sua 10.ª Conferência das Partes (COP 10) em outubro, em Nagoya (Japão).

 

Segundo Dias, falta apoio financeiro e político para o desenvolvimento de atividades que permitam explorar economicamente os recursos biológicos do País – em vez de simplesmente substituir florestas e savanas por monoculturas de grãos e bois, como ocorre na maioria das vezes.

 

“Não adianta ter a legislação ambiental certa se os incentivos econômicos estão errados”, afirmou, em um workshop preparatório para a COP 10, promovido pela organização WWF. O orçamento do ministério, segundo ele, é insuficiente para garantir a conservação e promover o uso sustentável das espécies e dos biomas brasileiros. “Não temos dinheiro nem equipes técnicas suficiente para fazer frente a esse desafio.”

 

A CDB, que funciona nos mesmos moldes da convenção que trata das mudanças climáticas, diz que os países ricos devem ajudar financeiramente e tecnologicamente os países pobres a proteger sua biodiversidade. Mas o Brasil já poderia fazer muito mais com seus próprios recursos, segundo Bráulio, se priorizasse o tema como deveria.

 

 

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