Estado que desmatou mais deve ganhar menos

Expert italiano defende fórmula mista de cálculo da REDD

Karina Ninni, Especial para O Estado de S. Paulo

11 Dezembro 2009 | 00h01

O economista italiano Andrea Cattaneo é membro do Woods Hole Research Center, nos Estados Unidos, e especialista em florestas tropicais. Esteve no Brasil em novembro, para dar um seminário sobre critérios para a remuneração via REDD em Estados da Amazônia Legal com diferentes índices de desmatamento.

 

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Na visita ao Brasil, o senhor apresentou dados sobre o impacto de diferentes abordagens de REDD. Como são esses modelos e qual é a melhor opção para a Amazônia?

A questão que tentamos resolver é: como distribuir os incentivos da REDD entre Estados que têm taxas de desmatamento muito diferentes? Se você compensar as reduções de emissões somente com base no histórico de desmatamento vai penalizar os Estados que, historicamente, têm baixas taxas de derrubadas de florestas. Busquei ajustar os níveis de referência entre os Estados na tentativa de fazer da REDD um mecanismo mais eficaz. Uma das abordagens propostas no Brasil distribui os incentivos via três componentes distintos: uma parte recompensa as reduções segundo o histórico de emissões do Estado; outra é distribuída com base no estoque florestal de cada Estado; e uma terceira parte recompensa os Estados conforme as suas metas de redução.

 

Quanto vale cada tonelada de gás carbônico que se deixa de emitir com a preservação da floresta?

Isso depende de vários fatores. Primeiro, da rentabilidade da terra na agricultura. Em áreas onde a soja é viável, o custo de reduzir desmatamento será mais elevado do que nas áreas onde a única opção é a pecuária: a soja na Amazônia é mais rentável que o gado. Em segundo lugar, boa parte do desmatamento é ilegal, então, o custo depende de como esse componente é tratado. Se você pagar US$ 10 por tonelada, pode evitar quase a totalidade do desmatamento em todos os Estados da Amazônia Legal. Mas, em alguns Estados, você pode evitar mais pagando menos por tonelada: US$ 5, por exemplo. Portanto, o custo por tonelada evitada depende de onde ela está sendo evitada e do quanto se está evitando.

 

O que o sr. espera da COP-15?

Que o Brasil consiga inserir a REDD no acordo.

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