FELIPE RAU/ESTADAO
FELIPE RAU/ESTADAO

Estação de trem Vila Olímpia é reinaugurada após projeto de modernização sustentável 

Parceria do governo de São Paulo com iniciativa privada é pioneira no Brasil e inclui desde energia renovável e reutilização de água até mobília com material reciclável

Victoria Netto, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2021 | 17h50
Atualizado 01 de junho de 2021 | 18h48

SÃO PAULO - A transformação sustentável da Estação Vila Olímpia, na Linha 9-Esmeralda, zona oeste da cidade de São Paulo, foi entregue nesta terça-feira, dia 1º, após seis meses desde o início do projeto. A modernização ecológica, financiada pelo Banco Santander e viabilizada pela empresa Eletromidia em parceria com o governo estadual, é pioneira no Brasil e inclui desde jardins verticais irrigados com água de reuso até geração de energia solar, reciclagem de lixo e tratamento de esgoto para preservação do Rio Pinheiros.

O modelo de gestão prevê um contrato de três anos com o Santander, que assume não só a revitalização, mas a manutenção da estação nesse período, passível de renovações a cada três anos. "Essa é a primeira estação de trem patrocinada, um fato inédito no Brasil. Isso é bom porque retira o dinheiro público e coloca o privado de forma inteligente, funcional, sustentável e equilibrada para o investidor”, afirmou o governador João Doria (PSDB) na cerimônia de inauguração. 

Batizado de “Trilhos Verdes”, o projeto de modernização também vai ser estendido a outras seis estações da Linha 9-Esmeralda: Pinheiros, Hebraica-Rebouças, Cidade Jardim, Berrini, Morumbi e Granja Julieta. “A segunda vai ser a estação Cidade Jardim, temos a previsão de inaugurá-la entre agosto e setembro”, disse o vice-presidente comercial da Eletromidia, Alexandre Guerrero. Cada estação vai carregar uma marca da iniciativa privada e a estimativa é que, em um ano e meio, todas elas estejam renovadas. 

No total, a estação Vila Olímpia agora tem 1.454 m² de área verde. O plantio de árvores no jardim central e cobertura vegetal de paredes dentro e fora da estação têm potencial para reduzir o impacto de ilhas de calor, melhorar a qualidade do ar e atenuar o odor de efluentes do Rio Pinheiros. A própria barreira acústica dos jardins verticais absorve mais de 41% de todo o som de uma fachada.

Além de nova infraestrutura (ver detalhes abaixo), a solução engloba o mobiliário feito com madeira reciclável. Foram incluídas novas plataformas de coleta seletiva de lixo, bancos com pontos de carregamento USB e uma marquise de 100 metros de extensão para a proteção contra sol e chuvas. Os banheiros têm torneiras e saboneteiras com sensor de presença para a economia de recursos e os bebedouros foram desenvolvidos para garrafas retornáveis. 

Outro ponto de destaque é o novo bicicletário, que agora comporta 90 bicicletas. O acesso das bikes, estimulado pela ciclovia ao lado da estação, também foi facilitado com calhas nas laterais das escadas fixas da estação, que conta com pontos de recarga para bicicletas elétricas. 

Para o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, a entrega da estação remodelada mostra o potencial de sucesso das parcerias. “A concessão das linhas 8 e 9, sem dúvida alguma, tornará possível ainda mais investimentos para que os usuários tenham um transporte cada vez melhor”, afirmou. Junto com a linha 8-Diamante, a linha 9-Esmeralda foi concedida pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) ao Grupo CCR em abril por R$ 980 milhões. O contrato tem duração de 30 anos.

Transformação sustentável

Segundo a vice-presidente de Comunicação, Marketing e Relações Institucionais do Banco Santander, Patrícia Audi, uma das responsáveis pelo projeto, o maior desafio foi fazer a obra com a linha funcionando, o que foi facilitado pela Secretaria de Transportes Metropolitanos (STM). 

De acordo com ela, a modernização ecológica tem infraestrutura própria para gerar, captar e reaproveitar a maior parte dos insumos necessários para a operação do local. “Pelo menos 70% de toda energia usada na estação é renovável, mas se tivéssemos situação de sol pleno, seria 100%”, disse. 

Com a instalação de 234 placas solares sobre a cobertura da estação Vila Olímpia, o espaço vai gerar 8.500 quilowatts-hora por mês — energia suficiente para abastecer cerca de 40 casas. O resultado vai zerar a conta de energia, o que representa a economia de quase R$ 300 mil por ano, valor hoje custeado pelo governo.

A modernização também vai contribuir para a preservação de recursos naturais. Isso porque o novo sistema permite a captação e armazenamento de até 150 mil litros de água por mês para reuso em irrigação de áreas verdes e limpeza dos banheiros. 

Responsável pelo projeto na Eletromidia, Alexandre Guerrero explica a dinâmica. “Toda a água usada nos banheiros era despejada no rio Pinheiros. Agora, com o sistema wetlands, a gente não só deixa de despejá-la, como ela passa por um processo de tratamento sem produtos químicos e volta para dentro da estação irrigando os jardins verticais”.

Para Guerrero, o projeto significa a modernização das cidades. Ao todo, cerca de 77 mil pessoas que circulam pela estação Vila Olímpia todos os dias vão ser beneficiadas pela transformação.

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