Esquimós querem comprar geladeiras por causa de mudança do clima

Comunidades inuits (esquimós) precisam de verbas para se adaptar à mudança climática no Ártico, o que inclui a construção de frigoríficos comunitários para armazenar a caça, já que o aquecimento terrestre está reduzindo a temporada de abate dos animais, disse uma líder inuit na sexta-feira.

REUTERS

11 Dezembro 2009 | 18h26

Esse povo indígena da Groenlândia, Canadá, Alasca e Rússia tradicionalmente caça espécies árticas como focas, ursos polares, baleias e alces.

"No Canadá vemos as mudanças climáticas diariamente," disse Violet Ford, funcionária do Conselho Circumpolar Inuit (CCI), nascida e criada em uma comunidade indígena de Makkovik, Labrador.

De acordo com ela, há necessidades de mais verbas para a adaptação à mudança climática no Ártico e em países em desenvolvimento.

"O dinheiro deveria estar indo também para as comunidades inuit como resposta à mudança climática," afirmou a ativista numa entrevista coletiva em Copenhague, onde cerca de 190 países discutem um novo tratado climático global até 18 de dezembro.

"Precisamos de infraestrutura. Queremos congeladores comunitários se os padrões de caça mudarem tanto que só poderemos sair para caçar poucas vezes ao ano."

O presidente do CCI, James Stotts, que é de Barrow, no Alasca, contou na entrevista coletiva que um tio de 78 anos caiu numa fenda no gelo e morreu congelado numa época do ano em que normalmente o gelo seria espesso e seguro.

"Os inuits têm de encontrar outras formas de armazenar sua carne. Algumas das nossas aldeias estão literalmente caindo nos mares por causa da erosão do gelo," afirmou.

Stotts estimulou os governos presentes em Copenhague a definirem um "acordo real (...), algo que realmente funcione."

O inuit groenlandês Aqqaluk Lynge, vice-presidente do CCI, disse que a calota polar está degelando muito mais rapidamente do que antes, o que vai elevar o nível dos oceanos, reduzir a quantidade de gelo no inverno e ameaçar o estilo de vida dos esquimós.

"A área dos caçadores é enorme (...) eles a percorrem em trenós com cães, mas para nós os trenós com cães estão desaparecendo. Essa parte da cultura está desaparecendo. De muitas maneiras, já estamos pagando pelas mudanças climáticas."

(Reportagem de Henriette Jacobsen)

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