Espelhos no espaço têm alto custo

“Entre as alternativas (da geoengenharia), a mais próxima da ficção científica é a instalação de refletores de luz no espaço”, diz John Shepherd, da Royal Society. Apesar disso, estudo publicado pela revista científica Atmospheric Chemistry and Physics Discussions calcula que apenas o lançamento desses espelhos gigantes, aliado ao envio de trilhões de minúsculos pequenos refletores na estratosfera, poderia reverter os efeitos do aquecimento global ainda neste século.

Gustavo Bonfiglioli e Karina Ninni, Especial para O Estado

24 de novembro de 2010 | 15h19

 

 

Os números que a pesquisa revela são superlativos. Para bloquear 1,8% da radiação solar que incide no planeta, seria necessária a cobertura de uma área inicial de 4,7 milhões de quilômetros quadrados entre o Sol e a Terra. Isso exigiria, por ano, 155 mil lançamentos no espaço – e a área teria de ser constantemente aumentada para dar conta do dos níveis crescentes de gás. O estudo estima que, a cada ano, seria necessário enviar ao espaço mais 35.700 km² de espelhos. O custo de lançar apenas os refletores pequenos na estratosfera gira em torno de US$ 5 trilhões.

 

 

O diretor do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luís Pinguelli Rosa, questiona a tecnologia. “É claro que satélites com espelhos podem funcionar para refletir parte da luz solar, mas a que preço? Será que não se correria o risco até mesmo de aumentar os acidentes com colisão de satélites, já que seriam milhares deles?”

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