Espécie de peixe 'redescoberta' em Minas Gerais

Ele habita águas subterrâneas; último exemplar havia sido coletado na década de 60

Karina Ninni, estadao.com.br

01 Junho 2010 | 22h13

Um grupo de pesquisadores brasileiros liderados pelos ictiólogos Eleonora Trajano, da Universidade de São Paulo (USP) e Cristiano Moreira da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ‘redescobriu’ uma espécie rara de peixe na região de Jaíba, no norte de Minas Gerais.

 

O Stygichthys typhlops tinha sido descrito por um pesquisador norte-americano na década de 60. “Esse pesquisador encontrou apenas um exemplar do animal há mais de 40 anos. Imediatamente, remeteu o espécime aos EUA, onde um grupo de colegas americanos o descreveu”, explica Moreira.

 

De lá para cá, nunca mais o peixinho foi visto. Explica-se: o peixe, da ordem dos Characiformes, só ocorre em aqüíferos – ou seja, em águas subterrâneas. Por isso, não tem olhos nem pigmentação.

 

A descoberta, além de possibilitar novos estudos sobre a morfologia e comportamento da espécie representa também um alerta para a preservação de aqüíferos.

 

“Acreditamos que a espécie esteja ameaçada de extinção  por conta do consumo excessivo da água do aqüífero” diz Moreira, alertando para a necessidade de preservação do ambiente e de adoção de um programa para diminuir a retirada de água e evitar a contaminação do aqüífero.

 

O primeiro alerta para a ameaça de extinção do Stygichthys Typhlops foi dado em 2008, quando Moreira e Trajano publicaram nota sobre no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, lançado pelo Ministério do Meio Ambiente.

 

A busca na região de Jaíba baseou-se em relatos de moradores e na procura do animalzinho em poços superficiais de abastecimento das casas. “Quase não existem mais poços que não sejam artesianos, ou seja, muito profundos. Dos 12 poços superficiais que pesquisamos, apenas 2 tinham água ainda. Foi aí que encontramos o Stygichthys typhlops”, relata o pesquisador da Unifesp. Ao todo, foram coletados 24 indivíduos da espécie para análises laboratoriais.

 

“Inicialmente fizemos uma descrição da morfologia e uma análise do comportamento, da biologia, da conservação, dos hábitos e do habitat”, explica Moreira. “Agora pretendemos mostrar onde estas espécies se encaixam na evolução dos Characiformes e iniciar pesquisas mais aprofundadas sobre a espécie”, diz ele.

 

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