Especialistas discutem turismo para salvar o condor andino

Segundo estudos, a população total da espécie estaria próxima de apenas 6.200 animais

Efe

12 Junho 2008 | 18h04

O mítico condor andino, a maior ave do planeta capaz de voar, luta para sobreviver nas altas montanhas sul-americanas, entre as torres de alta tensão e a perseguição humana, que os colocaram a caminho da extinção.   Este animal, cuja forma de planar deixa sem fôlego os que o conseguem ver, habita e se reproduz nos Andes, da Venezuela ao Cabo de Hornos, passando pelo Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina, entre 400 e 4500 metros de altitude.   Foto: Efe   No entanto a espécie se reduziu paulatinamente, mesmo sendo símbolo nacional de quatro países (Bolívia, Chile, Colômbia e Equador), que têm o animal estampado em suas bandeiras e escudos.   Segundo um dos escassos estudos sobre este animal, publicado pela Usaid em 2007, a população total estaria próxima de 6.200 animais, dois quais cerca de dois terços estariam na Argentina e no Chile.   O Vultur griphus, seu nome científico, praticamente desapareceu da Venezuela e da Colômbia, enquanto no Peru, Bolívia e Equador não há números definidos, acrescenta o informe fornecido pelo Instituto de Recursos Naturais (Inrena) do Peru.   Esses dados colocaram em alerta os ambientalistas, que discutem se deve-se habilitar espaços para que os turistas possam observar o animal, como no Cañón del Colca, o segundo mais profundo cânion do mundo, com quase 100 quilômetros de comprimento e profundidade de 3400 metros.   Foto: Efe   Ali, a cerca de mil quilômetros ao sul de Lima, turistas vindos de todo o mundo se maravilham com o vôo próximo e silencioso das duas dúzias de condores do local.   Essa proximidade ao homem é um dos fatores que colocou em perigo a ave gigante, explica Arturo Cornejo, biólogo do Inrena.   No entanto há ameaças maiores, como os postes de alta tensão, a caça com fins comerciais, os pesticidas e a crescente perda de hábitat.   "O homem se aproximou cada vez mais, ocasionando alterações pelo impacto que têm as torres de alta tensão; em alguns lugares os condores morrem eletrocutados; usam pesticidas em zonas agrícolas e os animais podem morrer", disse Cornejo.   "Em alguns locais acredita-se que os condores matam o gado para sua prole e, por isso, colocam veneno para eliminar a espécie", acrescenta o biólogo.   Ainda assim, Cornejo acredita que "é possível desenvolver um turismo sustentável de observação de aves, mas cumprindo com as normas internacionais" e que passa pela criação de "refúgios adequados para que a ave não se sinta intimidada."   O condor andino é uma ave gregária, cujo corpo mede entre um metro e 1,20 metro, e a envergadura de suas asas pode alcançar 3,5 metros.   Os adultos são negros, com colarinho e penas brancas na parte dorsal de suas asas, enquanto os jovens são marrons. Os mais chamativos são os machos, por sua crista proeminente e papada.   Foto: Efe   Estes animais podem planar largas distâncias em um só dia; no caso dos condores de Colca, voam até a costa peruana, a uns 200 quilômetros, só para devorar leões marinhos mortos e regressar à moradia ao anoitecer.   A relação do homem andino com o condor data de tempos pré-hispânicos e seu significado mitológico se reflete em uma abundante representação de cerâmicas, tecidos e construções.   É também o mais venerado dos animais que formam a sagrada trindade inca - formada pelo condor, pelo puma e pela serpente.   Uma impactante celebração peruana é conhecida como "Yawar Fiesta" (Festa do Sangue), em que amarra um condor a um touro para dar início a uma luta que só termina com a morte de um dos dois competidores.   O condor representa habitante original dos Andes e o touro, o conquistador espanhol. Quase sempre a vitória da ave leva ao clímax um espetáculo condenado pelos protetores dos animais.   Foto: Efe  

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