Especialistas discutem propostas para conter os avanços da mudança climática

Grupo se reúne em Brasília para fechar acordo a ser apresentado na COP 18, no Catar

Agência Brasil

20 Setembro 2012 | 09h45

Brasília – Técnicos e negociadores do Brasil, da África do Sul, da Índia e da China, que integram o grupo denominado Basic, reúnem-se nesta quinta-feira, 20, na sede do Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty. A ideia é dar início às discussões para um entendimento comum sobre as medidas e políticas que devem ser adotadas pelas nações do mundo para minimizar os impactos negativos produzidos pelas mudanças climáticas.

O resultado dos debates será analisado e ratificado pelos ministros desses países nesta sexta-feira, 21.

Na reunião, técnicos, especialistas e autoridades pretendem discutir propostas e chegar a um acordo sobre o que será apresentado e defendido na 18ª Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP18) que será realizada em Doha, no Catar, em novembro e dezembro deste ano, na qual participarão representantes de 190 países.

Para o governo brasileiro, a atuação do Basic é um fator que ajuda a pressionar e aumentar o nível de ambição de outras nações em relação às mudanças climáticas. O grupo discute temas como o tratamento do apoio financeiro, tecnológico e técnico internacional para ações de mitigação e adaptação em países em desenvolvimento.

Porém, especialistas advertem que os esforços ainda não surtem impactos suficientes para superar o pessimismo das previsões sobre o setor, pois as avaliações são que os avanços significativos só ocorrerão nas negociações na COP18, no Catar.

"Não é normal que uma Conferência do Clima tome uma decisão importante seja seguida por outra [Conferência de Clima] que também tome decisões tão importantes. O que se espera é que a conferência seguinte seja de implementação das decisões adotadas na conferência anterior", disse o embaixador Luiz Figueiredo Machado, representante brasileiro na COP18.

"O que tinha que ser lançado já foi lançado. Agora o que se espera é a negociação até o final de 2015", completou.

Para as autoridades brasileiras, dois aspectos são apontados como fundamentais nas discussões da COP18. O avanço nas negociações para um acordo global em 2020, envolvendo o compromisso de todos os países emissores de gases de efeito estufa, é uma das prioridades. Apesar da importância do tema para a redução do aquecimento global já a partir de 2015, as expectativas não apontam para a conclusão do debate.

O governo brasileiro também defende que os países desenvolvidos se comprometam rapidamente com a segunda etapa de compromissos do Protocolo de Quioto. O Brasil quer que as regras desta nova etapa sejam definidas até a COP18 para garantir que as novas metas passem a valer em janeiro de 2013. Os termos do tratado, que define metas e limites de emissão de gases de efeito estufa para os países desenvolvidos, expiram no final deste ano.

Os governos do Japão, do Canadá e da Rússia informaram que não participarão das definições jurídicas que servirão de sustentação para o tratado. Os três países definirão metas voluntárias tal como ocorre com os países em desenvolvimento, como o Brasil, que estipulou como objetivo reduzir em 39% as emissões de gases de efeito estufa até 2020, tendo como base os níveis de 1990.

Nesta sexta-feira, 21, os ministros das Relações Exteriores do grupo Basics analisam os relatórios elaborados pelos técnicos e negociadores. O objetivo é aprovar uma declaração conjunta que será apresentada na COP18. Na reunião foram convidados também representantes da Argélia, da Argentina e de Barbados para que apresentem sugestões sobre o tema.

Os convites, segundo o Itamaraty, foram feitos porque a Argélia é o país que preside temporariamente o G77 (grupo de países em desenvolvimento), a Argentina foi recentemente presidente do mesmo bloco e Barbados tem interesses específicos em relação à questão da mudança do clima – uma vez que o conjunto de pequenas ilhas se tornam vulneráveis a eventos extremos. O Catar também participará das discussões do Basic.

As negociações em torno dos problemas produzidos pelas mudanças climáticas e as formas de contornar e evitar esses impactos motivou a criação do Basic, em 2007.

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