Especialista vê com reservas relatório sobre benefícios dos transgênicos nos EUA

Para professor da USP, efeitos precisam ser estudados no longo prazo

Afra Balazina, Andrea Vialli e Carlos Orsi, O Estado de S. Paulo

14 Abril 2010 | 11h02

O relatório do Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos, divulgado na terça-feira (14), que ressalta os benefícios das culturas transgênicas foi recebido com ressalvas pelo professor da USP Paulo Kageyama, para o qual não se pode “assumir” o documento americano como verdade para o Brasil.

 

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“Os EUA têm regras muito frouxas no caso dos transgênicos. Eles sempre foram liberais, são pela tecnologia e fim de papo”, disse Kageyama, representante do Ministério do Meio Ambiente na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), um dos órgãos do governo federal que aprova o plantio e a venda de variedades transgênicas.

O relatório americano afirma que plantas geneticamente modificadas podem ajudar a proteger o ambiente e a população de uma superexposição a pesticidas. O motivo alegado é a redução no uso de agrotóxicos ocorrido nos EUA com a introdução das variedades transgênicas.

Apesar disso, o uso dos transgênicos é criticado por ambientalistas, que temem o impacto ecológico e sobre a saúde humana das variedades modificadas.

Para Kageyama, os efeitos dos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) precisam ser estudados no longo prazo. “Hoje, a tecnologia é criada e aprovada muito rapidamente. Mas os problemas aparecem quando há grande escala.”

Kageyama afirma ainda que, no País, os transgênicos acabam atrapalhando os pequenos produtores e produtores de orgânicos, que têm suas plantações contaminadas pelos OGMs.

No Brasil, produtos que contêm uma proporção de transgênicos superior a 1% devem apresentar um selo especial, para informação do consumidor.

A avaliação de Alda Lerayer, diretora do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), entidade que reúne pesquisadores e empresas do setor de biotecnologia, coincide com a do relatório americano. Segundo ela, no Brasil as culturas transgênicas de soja e milho já apresentam benefícios ao ambiente, como a redução da necessidade de pulverizar pesticidas nas lavouras, que além de poluir, também consomem água em grandes volumes.

“Cada pulverização de inseticida consome no mínimo 700 litros de água por hectare. Com transgênicos, esse gasto cai a menos da metade.”

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