Escândalo do 'Climagate' britânico macula cúpula climática

Roubo de e-mails de universidade britânica levantou onda de suspeitas no encontro da ONU em Copenhague

Efe,

08 Dezembro 2009 | 15h23

O chamado "Climagate", um escândalo relacionado com o roubo de e-mails da prestigiosa universidade britânica de Anglia Oriental sobre a mudança climática, levantou uma onda de suspeitas na cúpula da ONU realizada em Copenhague.

 

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Altos cargos das Nações Unidas temem que fique desprestigiado o prolixo relatório elaborado pelo grupo do Painel Intergovernamental de Analistas sobre a Mudança Climática (IPCC) em 2007 sobre as consequências do aquecimento global para o planeta, à luz da informação divulgada nessas mensagens eletrônicas.

 

O presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, afirmou nesta terça-feira, 8, que esse organismo "não averiguará, mas analisará" o conteúdo dos e-mails "roubados" por um hacker e um cientista britânico.

 

Em entrevista coletiva na cúpula de Copenhague, Pachauri matizou que com o termo "investigação" parece "que algo erra ocorreu", enquanto o IPCC só quer "obter dados e analisar a questão". "Não pretendemos fazer uma investigação e também ninguém nos pediu", manifestou.

 

Pachauri criticou nesta segunda-feira, na inauguração da cúpula, a que "as tais ações ilegais" foram divulgadas para desacreditar os "trabalhos" dos cientistas que expõem as consequências da mudança climática.

 

Nesta terça-feira insistiu em que a única "ilegalidade" no assunto - que a imprensa anglo-saxã batizou como "Climagate" - foram cometidos por aqueles que acenderam às "comunicações privadas" desses cientistas, por isso pelo que a Polícia britânica e a Universidade de Anglia Oriental já abriram investigações.

 

"Essa infeliz ação foi planejada com a intenção de influenciar no processo de Copenhague", afirmou Pachauri, que classificou os críticos sobre a mudança climática de "vozes solitárias".

 

Acrescentou que a única consequência que deve desprender-se desse assunto é "que se descubra quem está por trás desse roubo".

 

Sustentou "categoricamente" que não existe "nenhuma dúvida" no IPCC sobre o trabalho da Unidade de Investigação sobre o Clima (CRU) e de seu diretor, o britânico Phil Jones, quem é acusado de manipular os dados sobre a mudança climática, a partir da divulgação de sua correspondência.

 

Pachauri afirmou que as pessoas que estão "sendo vítimas de um ato ilegal" são os "cientistas extraordinários" que fizeram uma "grande contribuição" ao trabalho do IPCC e que se encontram agora "injustamente" no "ponto de mira" da sociedade.

 

Ressaltou que a partir do IPCC estão "completamente satisfeitos" com seu processo de supervisão, que descreveu como "robusto, confiável e transparente" e da redação de seus relatórios, que reúnem dados de organismos "independentes" e nos quais colaboram 2,5 mil cientistas.

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