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Envio de boias para conter óleo motiva queda de braço entre governo de Sergipe e Petrobrás

A estatal informou nesta quinta-feira, 10, que já enviou as barreiras de contenção de sujeira que havia prometido ao governo local; já o Estado disse que 'não chegou nada'

Antônio Carlos Garcia e Denise Luna, Especial para o Estado

10 de outubro de 2019 | 22h30

ARACAJU E RIO - O uso de boias para conter a contaminação do Rio São Francisco pelo óleo que poluiu as praias do Nordeste se tornou uma queda de braço entre a Petrobrás e o governo de Sergipe. A estatal informou nesta quinta-feira, 10, que já enviou as barreiras de contenção de sujeira que havia prometido ao governo local. Já o Estado disse que "não chegou nada". 

"A Petrobrás saiu com uma nota mentirosa, dizendo que disponibilizou as barreiras de contenção de óleo para nós. Mas não chegou nada", disse o diretor-presidente da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), em Sergipe, Gilvan Dias.  “A Adema não faz colocação de boias. Quem coloca é a Petrobrás, através da empresa terceirizada."

Estava prevista para essa quarta, 9, a colocação dos equipamentos para conter o poluente no rio, mas a Petrobrás informou que não haveria boias disponíveis para isso. Depois, o governo sergipano informou que compraria as estruturas de uma empresa privada capixaba. 

Questionada pelo Estado sobre o fato de não ter colocado as boias à disposição, a estatal informou, em nota, que as barreiras de contenção "já foram disponibilizadas" para a Adema. "A Petrobrás atua na tarefa de limpeza das praias sob coordenação do Ibama. Portanto, a estratégia de atuação é emanada por este órgão", acrescentou o texto. Segundo a Petrobrás, todo o trabalho da empresa será ressarcido pelo governo, em valor ainda não calculado.

Nesta quinta, as Centrais Elétricas de Sergipe instalaram 200 metros de boias absorventes, da própria empresa, no Rio Sergipe, na região da Barra dos Coqueiros, onde também apareceram manchas de óleo. Mas ainda são necessárias estruturas nos rios São Francisco, Vaza Barris, Real e Japaratuba. 

“Vamos comprar as boias amanhã para esses outros locais”, afirmou Dias. Esse trabalho faz parte das medidas do decreto de emergência referente às ações previstas no Plano de Emergência Individual.

Companhia diz ter ações para evitar desabastecimento de água

A Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), responsável pelo abastecimento de água no Estado, garantiu que tomará todas as providências cautelares para manter a distribuição regular e com qualidade. Segundo a empresa, embora o óleo tenha alcançado a foz do São Francisco, não há captação no local afetado. 

“Ainda assim, desde o aparecimento das manchas, nossos técnicos estão monitorando e coletando diariamente a água, fazendo testes para assegurar a qualidade e descartar a toxicidade, não encontrando, até o momento, vestígios de contaminação”, informou a companhia, em nota.

Dentre as medidas preventivas tomadas pela Deso para assegurar que os locais de captação não sejam afetados, estão o isolamento por meio de telas das captações flutuantes em Brejo Grande e Ilha das Flores, municípios onde estão as captações mais próximas das manchas encontradas.

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