Entulho aterra várzea do Tietê dentro do Parque Ecológico

Uma área de 30 mil metros quadrados na várzea do Rio Tietê, dentro do Parque Ecológico, na zona leste de São Paulo, foi soterrada por entulho descartado de forma ilegal. Cortado por um córrego que também foi aterrado pelo lixo, o terreno, às margens do quilômetro 17 da Rodovia Ayrton Senna, está ao lado do novo Centro de Treinamento (CT) do Corinthians, em obras desde o ano passado.

AE, Agência Estado

28 Maio 2010 | 10h11

Os moradores vizinhos acusam o clube de futebol de fazer os despejos ilegais. Ontem, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente informou ter autuado duas vezes o Corinthians por "movimentação ilegal de terra" - a primeira vez no dia 27 de novembro e a segunda, ontem. Segundo o governo estadual, o clube também não tem licença ambiental para executar as obras e deverá ser novamente autuado hoje, agora pela Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb). O crime ambiental está sob investigação pelo inquérito policial 53/10, da Delegacia Estadual de Meio Ambiente.

Apesar das suspeitas, nenhum funcionário da obra do Corinthians foi flagrado pela Polícia Ambiental jogando entulho no terreno vizinho. A Subprefeitura de Itaquera também diz tentar localizar, sem sucesso, os responsáveis pelos despejos. O órgão informou que o Corinthians tem autorização da Secretaria Municipal do Verde para fazer a contenção de um barranco na área e o clube nunca foi autuado por jogar entulho de forma ilegal na região. "Já fizemos plantão de madrugada para flagrar responsáveis pelo descarte, mas nunca ninguém foi visto", informou a assessoria da subprefeitura.

Defesa

Responsável pelas obras do futuro Centro de Treinamento do Corinthians, o médico Joaquim Grava afirma que o clube também é vítima dos despejos irregulares de entulho na várzea do Rio Tietê. As montanhas de lixo que se acumulam no terreno vizinho ao canteiro de obras corintiano não foram depositadas pelos funcionários que trabalham na obra do CT, afirmou Grava ao jornal O Estado de S. Paulo.

O médico também diz ter licença do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) para fazer o empreendimento no terreno cedido pelo Estado ao Corinthians em 1994, pelo período de 50 anos. "Nós mesmo queríamos fazer a remoção do entulho e já estávamos fazendo. Talvez por isso os moradores viram caminhões nossos lá. O terreno não é do Corinthians e nunca o clube depositou lixo naquele local", argumentou o médico, que vê articulação da oposição à diretoria corintiana nas acusações.

O médico confirma ter recebido duas notificações, da Polícia Ambiental e da Cetesb, mas diz que os órgãos constataram que tudo estava "em ordem" na obra. Ele também afirma desconhecer quem faz o descarte de entulho no terreno vizinho ao CT. Joaquim Grava ressalta que o clube nunca foi multado por irregularidades na obra, apesar das notificações da Polícia Ambiental terem virado um inquérito na Delegacia Estadual de Meio Ambiente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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