ENTREVISTA-Mundo tem de cortar emissões em 50% até 2050, diz ONU

Um novo tratado da Organização das NaçõesUnidas (ONU) para combater as mudanças climáticas deveria terpor meta diminuir em 50 por cento as emissões de gases doefeito estufa até 2050, disse na sexta-feira o principalrepresentante da entidade para a área de combate ao aquecimentoglobal. Autoridades importantes de 190 países vão se reunir entreos dias 31 de março e 4 de abril, em Bangcoc, para a sessão deabertura de um processo de dois anos voltado à elaboração de umnovo pacto global de combate às mudanças climáticas, capaz desubstituir o Protocolo de Kyoto. Yvo de Boer, chefe do Secretariado para as MudançasClimáticas da ONU, afirmou que, segundo estudos do Painel doClima da entidade, as emissões de gases do efeito estufa devematingir seu pico dentro de 10 a 15 anos para depois caírem em50 por cento até a metade do século a fim de evitar os efeitosmais dramáticos do aquecimento. "Essa, para mim ao menos, é a medida do sucesso", disse àReuters, acrescentando que essas metas deveriam servir depedras fundamentais para o tratado que se debaterá nos próximosmeses e cuja assinatura está prevista para ocorrer em dezembrode 2009, em Copenhague. "Isso, porém, não será fácil." As emissões de gases responsáveis por reter calor, gasesesses resultantes em grande parte da queima de combustíveisfósseis, estão aumentando rapidamente apesar dos esforços paraevitar o aquecimento, um fenômeno capaz de tornar mais comunsenchentes, doenças, deslizamentos de terra e ondas de calor,além de elevar o nível dos oceanos. De Boer acrescentou que as metas intermediárias, tais comoas de 2020 para os países desenvolvidos, seriam mais difíceisde serem negociadas do que as metas de longo prazo, que seriamcumpridas pelas futuras gerações. "A dificuldade maior está nomeio-termo", afirmou. A China, que atingiu o nível dos EUA como maior emissormundial de gases do efeito estufa, pediu aos países ricos, emum comunicado enviado ao encontro de Bangcoc, que cumpram asdiretrizes acertadas no ano passado de cortar suas emissões,até 2020, para patamares 25 a 40 por cento inferiores aos de1990. As negociações em Bangcoc são as primeiras de uma série quedeve se encerrar em dezembro de 2009 com um pacto do qualparticipariam todos os países do mundo. O Protocolo de Kyoto obriga 37 países ricos a cortarem suasemissões até 2008-2012 para um patamar 5 por cento inferior aode 1990. Os EUA não assinaram esse tratado. O presidentenorte-americano, George W. Bush, argumentou que o acordodiminuiria a oferta de trabalho dentro dos EUA e que teriaerrado ao eximir os países em desenvolvimento das metascompulsórias de corte. As negociações em Bangcoc devem estipular os detalhes sobreo processo previsto para ocorrer neste ano, centrando-se nadiminuição das emissões, em novas tecnologiasconservacionistas, na ajuda para que países pobres adaptem-seàs mudanças climáticas e novas linhas de crédito e deinvestimento. Depois do evento em Bangcoc, haverá encontros da ONU emjunho, em agosto e em dezembro deste ano.

ALISTER DOYLE, REUTERS

28 de março de 2008 | 13h04

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