Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Despoluição dos rios precisa de engajamento da população

Participantes do seminário 'A Despoluição dos Rios' falaram sobre os principais desafios para recuperação do Rio Pinheiros

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2019 | 15h29

SÃO PAULO - Engajar a população no projeto Novo Rio Pinheiros, após uma série de fracassos de gestões anteriores, é um dos principais desafios do governo do Estado para cumprir a meta de despolui-lo até 2022. Além de investir em campanhas de educação sanitária, especialistas sugerem abertura de dados sobre o projeto para tentar atrair contribuições e a confiança da população.

O assunto é tema do segundo dia do seminário A Despoluição dos Rios, parceria entre a Fiesp e o Estado, realizado nesta quarta-feira, 9. Embora façam elogios a aspectos do projeto de despoluição, lançado pela gestão João Doria (PSDB), participantes também mantém desconfiança em relação ao cumprimento do prazo - visto por parte deles como "irrealista".

Para Marcelo Reis, do movimento Volta Pinheiros, o histórico de fracassos em São Paulo dificulta a participação social. "A gente precisa de um projeto sério para que a cidade abrace", disse. "As pessoas não vão se envolver com o projeto do nada, não vão postar foto em rede social, porque não dá like, então não gera engajamento e nem cobrança ao governo."

Reis afirma ser favorável às soluções propostas por Doria. Entretanto, ele cobra maior transparência do planejamento e acesso ao cronograma do projeto e questiona o prazo estabelecido. "O site disponível deveria ter dados abertos, deveria ter sinalizações de fases da execução em verde, amarelo e vermelho, por exemplo. Do jeito que está, você se pergunta: 'cadê o projeto?'", disse. 

"Gastou-se mais de U$ 3 bilhões ao longo dos últimos 21 anos para tratar o rio e ele não está limpo", disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp. "Primeiro tem de parar de sujar, senão é dinheiro jogado fora."

Integrante do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp, José Eduardo Cavalcanti cobrou participação das cidades de São Paulo, Taboão da Serra e Embu das Artes, que seriam responsáveis pela limpeza da margem dos córregos, galerias pluviais e fiscalização de imóveis não-conectados à rede de esgoto. Também caberia às prefeituras o plano de comunicação do projeto.

Para Cavalcanti, as obras de saneamento têm pouco tempo hábil para ficarem prontas. Outro problema, segundo ele, é que a tecnologia das mini-estações de tratamento (uma das apostas do projeto) ainda não está definida e só deve ser proposta pelas empresas interessadas. Ele sugere maior uso da Estação de Tratamenro de Barueri, que hoje tem ociosidade de 5.5 m3/s.

"Alguns córregos tem regime turbulento e precisam de estação de tratamento de porte", afirmou. "Até 2022, se tudo for feito de acordo, teremos no máximo um Rio Pinheiros melhorzinho, o que já é grande coisa."

O secretário municipal de Justiça, Rubens Rizek, da gestão Bruno Covas (PSDB), elogiou a iniciativa de Doria e disse que a maior parte das críticas que o governador recebe é pelo volume de dinheiro investido no projeto - só da Sabesp, há previsão de R$ 1.5 bilhão. "Quando ele (Doria) fala que está sendo corajoso, está mesmo."

Para Rizek, o Pinheiros tem quatro desafios: esgoto, poluição difusa (lixo), formação de lodo e a baixa vazão _ que faz com que o rio tenha característica de 'lago'. "A gente tem um sonho de o rio ser navegável, de ser modal de transporte", disse. "Não dá para dizer que não está melhorando. Podia ser mais rápido? Podia. Mas está melhorando de forma contínua e persistente."

Governo afirma investir em tratamento de esgoto e desassoreamento

Em nota, a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente informou que o Programa Novo Rio Pinheiros está em andamento e as ações podem ser acompanhadas no site novoriopinheiros.sp.gov.br. "Os 14 editais para obras de saneamento são públicos e estão disponíveis para consulta. O objetivo é encaminhar à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Barueri 2.800 litros por segundo e universalizar a bacia. Por meio de investimentos do Projeto Tietê, a ETE ampliou em 2017 a capacidade de tratamento para 12 mil litros por segundo. Em 2018 houve um salto para 16 mil litros por segundo", acrescenta o texto. 

"Paralelamente ocorrem as ações de desassoreamento que deverão retirar 500 mil m³ de resíduos do Rio Pinheiros", ainda conforme a pasta. O Rio Pinheiros é um afluente do Rio Tietê. Desde 1992, os investimentos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo no Projeto Tietê ampliaram a coleta de esgoto da Região Metropolitana de 70% para 89%, e o tratamento saltou de 24% para 78%, também segundo o governo. 

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