Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Energia vem do lixo: tecnologias transformam resíduos em biogás

Projetos apoiados pela iniciativa europeia Low Carbon aplicam técnicas já usadas em países como Alemanha e Dinamarca

Eduardo Geraque, especial para o Estado

23 Outubro 2018 | 05h30

SÃO PAULO - Um dos preceitos básicos da política nacional de resíduos sólidos é evitar com que mais e mais lixo fique acumulado nos aterros sanitários. Essa é uma das linhas de atuação de projetos encampados pelo Low Carbon Business Action, uma iniciativa da União Europeia em parceria com pequenas e médias empresas brasileiras para apoiá-las na transição para tecnologias de baixo carbono. 

“Os três objetivos macro são gerar um investimento da ordem de 300 milhões de euros no Brasil, baixar a emissão de gases de efeito estufa ao redor de 18,5 milhões de toneladas ao ano e, também, promover a geração de 1.300 empregos”, afirma Mercedes Blázquez, líder do Low Carbon no Brasil.

Dos quase 300 projetos discutidos ao longo das rodadas de negociação em três anos, cerca de 52% é da área de resíduos sólidos. O projeto uniu ideias brasileiras, que precisavam ser desenvolvidas, com tecnologias já testadas e em uso na Europa. “Mas também recebemos projetos na área de energias renováveis e de agricultura, atrelados à floresta”, diz Mercedes.

Um dos exemplos, em fase de implementação, está sendo desenvolvido em Curitiba (PR). Com base em uma tecnologia alemã, o Ceasa da capital paranaense vai montar uma usina de biogás. A energia que será usada pela própria instituição virá dos restos de alimento coletados no Ceasa e em outro locais. Segundo Mercedes, o projeto engloba o trabalho de catadores de lixo da região. “É um modelo que se aproxima da economia circular.”

Outro projeto nessa linha está sendo desenvolvido em São Paulo com tecnologia dinamarquesa. A ideia é que um dos aterros da região metropolitana, administrado pela Ecourbis, também ganhe uma usina de biogás, que será alimentada pela parte orgânica do lixo coletado em São Paulo. O método importado da Escandinávia facilita a separação das fases orgânicas e inorgânicas dos resíduos sólidos que chegam ao aterro. 

“O potencial deste projeto, que deverá ser implementado em até dois anos, é enorme. Se ele funcionar bem em um dos dez maiores aterros de São Paulo, ele poderá ser replicado para outros 35 aterros”, afirma Mercedes. No caso, há tanto o ganho econômico, quanto o social e o ambiental.

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