Encontro de Bali lança negociações históricas sobre o clima

Cerca de 200 naçõesentraram em acordo, no sábado, durante as conversaçõeslideradas pela ONU em Bali para lançar uma rodada denegociações sobre um novo pacto para combater o aquecimentoglobal, após uma concessão dos Estados Unidos permitir umavanço histórico. Washington afirmou que o acordo marca um novo capítulo nadiplomacia relacionada ao clima após seis anos de disputas comgrandes aliados desde que o presidente George W. Bush serecusou a participar do protocolo de Kyoto em 2001, o principaltratado existente para combater o aquecimento. "Este é um momento decisivo para mim e para o meu mandatocomo secretário-geral", disse Ban Ki-moon, o secretário-geralda Organização das Nações Unidas, após retornar a Bali paraimplorar aos delegados para que superassem as diferenças, noprimeiro dia de prolongamento do prazo das negociações. Ban estava em uma visita a Timor Leste. "Estouprofundamente grato a muitos países-membros pela flexibilidadee pelas concessões", disse Ban à Reuters. O encontro de Bali aprovou um "mapa" para dois anos denegociações para a adoção de um novo tratado que substitua o deKyoto, a partir de 2012, abrangendo nações como os EstadosUnidos e países em desenvolvimento como China e Índia. Sob oacordo, o tratado que sucederá Kyoto será definido emCopenhagem no fim de 2009. O acordo, após duas semanas de negociações, ocorreu após osEstados Unidos dramaticamente retirarem a oposição a umaproposta dos países do G7 --o grupo dos sete países maisindustrializados do mundo-- para que as nações ricas façam maispara ajudar os países em desenvolvimento na luta contra oaumento da emissão de gases de efeito estufa. O ministro do Meio Ambiente da Indonésia, RachmatgWitoelar, bateu o martelo do acordo sob aplausos de delegados,desgastados após negociações intensas e numerosas disputas nosúltimos 15 dias. "Eu acho encorajador. Esse é um sinal real de disposiçãopara um acordo", disse Yvo de Boer, secretário-executivo daConvenção do Clima da ONU. ACOMODAÇÕES A União Européia ficou satisfeita com o acordo. "Era exatamente o que queríamos", disse Humberto Rosa,chefe da delegação da União Européia. "Nós teremos agora doisanos tremendamente exigentes, começando em janeiro." Um pacto em 2009 dará tempos aos governos para ratificar oacordo e dar certeza aos mercados e investidores interessadosem adotar tecnologias de energia limpa, como turbinas de ventoe painéis solares. O tratado de Kyoto obriga a todos os paísesindustrializados, exceto os Estados Unidos, a cortar emissõesde gases de efeito estufa entre 2008 e 2012. Nações emdesenvolvimento são dispensadas. As novas negociações vãoprocurar integrar todos os países no controle das emissões apartir de 2013. "Não há dúvidas de que abrimos uma nova página e estamosavançando", disse James Connaughton, chairman do Conselho deQualidade Ambiental da Casa Branca, em Bali. Os Estados Unidos são o maior emissor de gases de efeitoestufa, à frente da China, Rússia e Índia.

EMMA GRAHAM-HARRISON, REUTERS

15 de dezembro de 2007 | 10h30

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