Encolhimento de geleiras provocará escassez de alimentos na Ásia

Número de pessoas afetadas é estimado em 60 milhões, menos que o previsto pelo IPCC em 2007

Associated Press

10 Junho 2010 | 16h45

Cerca de 60 milhões de moradores da região do  Himalaia sofrerão escassez de alimentos nas próximas décadas, à medida que as geleiras encolhem e as fontes de água para as lavouras se esgotam, diz estudo divulgado nesta quinta-feira.

 

Mas os cientistas holandeses, escrevendo para a revista Science, concluem que o impacto será muito menor que o estimado anteriormente pelo Painel Intergovernamental para a Mudança Climática, o IPCC. O relatório da ONU de 2007 advertia que centenas de milhões estariam em perigo com a redução do gelo nas montanhas asiáticas.

 

A causa da discrepância, dizem os cientistas, é o fato de que algumas bacias na região dependem mais das chuvas que do degelo para se manterem abastecidas.

 

As que dependem fortemente das geleiras, do a do Rio Indo, do Ganges e do  Brahamaputra poderão perder quase 20% de sua água até 2050. A bacia do Rio Amarelo, na China, em contraste, ganharia um aumento de 9,5% nas chuvas, por conta da mudança no padrão das monções com a alteração climática.

 

"Demonstramos que são apenas certas áreas serão afetadas", disse o professor de Hidrologia da Universidade de Utrecht, Marc Bierkens, um dos autores do estudo. "O número de pessoas afetadas ainda é grande. Cada pessoa é uma vítima a mais, mas isto é muito menos do que se havia antecipado".

 

O estudo é um dos primeiros a examinar o impacto do encolhimento das geleiras nas bacias fluviais do Himalaia. Ele vai estimular ainda mais o debate sobre o impacto do aquecimento global nas populações que dependem de grandes bacias hidrográficas no Paquistão, Índia, Nepal, China, Bangladesh e Butão.

 

A maioria dos cientistas concorda que as geleiras estão derretendo num ritmo acelerado, à medida que as temperaturas sobem.

 

Alguns pesquisadores se viram sob duras críticas por causa do relatório da ONU de 2007 a respeito dos efeitos esperados da mudança climática. Esse texto incluía diversos erros, e sugeria que o gelo do Himalaia poderia desaparecer até 2035, centenas de anos antes da estimativa correta.

 

O erro - a transposição de um dígito, de 2350 para 2035 - abriu a porta para uma série de ataques.

 

As descobertas apontadas pelo grupo holandês foram recebidas com cautela por outros especialistas. Eles disseram que há incertezas e faltam dados para que se possa afirmar com confiança o que ocorrerá nas próximas décadas.

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