Enchentes do Meio-Oeste dos EUA estão perto do nível máximo

O pico de cheia do rioMississippi continuava a descer a corrente, na sexta-feira,alagando pequenas cidades e parte das terras mais férteis doMeio-Oeste dos EUA, enquanto os moradores e as empresas daregião começavam a calcular os danos deixados pelas pioresenchentes a atingir a área nos últimos 15 anos. As enchentes e as violentas tempestades responsabilizadaspela morte de 24 pessoas desde o final de maio deixaramprejuízos de bilhões de dólares e devem agravar ainda mais adisparada mundial do preço dos alimentos. A cidade de Hannibal (Missouri), onde passou a infância ofamoso escritor Mark Twain, continuava protegida por seu diquede terra e seu muro antienchente, mas outras localidades dosdois lados do rio não tiveram a mesma sorte. "Estou começando a achar que essa é a pior crise que jáenfrentei", disse Blake Roderick, da Secretaria de Agriculturade Hannibal. O Mississippi rompeu ou passou por cima de mais de vintediques nesta semana, entre os quais dois que não conseguiramconter as águas na sexta-feira. Ao menos meia dúzia de outrosdiques continuava ameaçada, e isso antes de o nível do rioatingir sua altura máxima prevista em St. Louis (Missouri), nodomingo. A maior parte dos diques protege grandes áreas de cultivo,entre as quais milhares de acres dos Estados de Iowa e Illinois-- que, juntos, produzem cerca de um terço do milho e da sojavindos dos EUA. Muitas dessas áreas viram-se tomadas pelaságuas e isso fez surgirem ondas de choque nos mercados decommodities e preocupação com as pressões inflacionárias. Don Rust, um fazendeiro de Ursa (Illinois), calcula que umterreno de cultivo de 21 quilômetros de extensão por 9,7quilômetros de largura foi invadido pelas águas em suapropriedade. "Levará de três a quatro meses para a água retroceder",afirmou Rust, na frente dos campos inundados. "Há uma grandeporção de terra boa que ficará inutilizada até o próximo ano." DIQUES SOB RISCO "Ainda estamos preocupados com a possibilidade de a águapassar por cima dos diques," disse Ron Fournier, porta-voz dosCorpos de Engenheiros do Exército dos EUA. "Se os sacos deareia não aguentarem, a água atingirá mais áreas de cultivo ecasas." As inundações tomaram conta de propriedades rurais e delares ao norte de St. Louis, apesar de a cidade em si ter sidopoupada. O leito do rio alarga-se nessa região e consegueabsorver um volume maior de água. Harvey Johnson, vice-chefe da Agência Federal deAdministração de Emergência (Fema), disse a repórteres, nasexta-feira: "A água continua a subir em alguns pontos deWisconsin. Mas está atingindo seu pico a uma altura menor doque a prevista na área de St. Louis e East St. Louis". Os Corpos de Engenheiros do Exército dizem agora prever queo rio, na altura de St. Louis, chegará a um pico de 11,4 metrosna sexta-feira -- menor que o pico de 15,1 metros registradonas enchentes de julho de 1993. Ainda assim, a água continua passando por debaixo dosdiques da cidade de East St. Louis, mais pobre do que St.Louis. Se os diques de dezenas de anos de idade falharem ali -- eos engenheiros do Exército disseram duas semanas atrás que asestruturas de terra da área precisavam de reparos --, o riopoderia vazar para uma planície onde moram 150 mil pessoas,afirmou Timothy Kusky, um especialista em enchentes daUniversidade Saint Louis. Segundo Kusky, ao longo dos anos, o Mississippi vem sendoespremido por um número cada vez maior de diques, o que diminuisua capacidade de vazão. Onde a água consegue escapar do leito,as enchentes acabam sendo piores. (Reportagem de Ros Krasny, Sam Nelson, Jerry Bieszk e LisaShumaker em Chicago)

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