Empresas lutam para influenciar negociações de Copenhague

A iniciativa privada tem dificuldades em influenciar as discussões climáticas em Copenhague por estar distante da negociação e por causa da divisão dos seus integrantes entre os que ganham e os que perdem com as políticas climáticas, disseram executivos na sexta-feira.

GERARD WYNN, REUTERS

11 Dezembro 2009 | 16h53

O objetivo da conferência, que envolve governos e cientistas, mas não diretamente os empresários, é definir as diretrizes de um novo tratado climático global, o que deve levar a fortes reduções das emissões de gases do efeito estufa.

Os executivos se reuniram em outro local, a vários quilômetros do local do evento da ONU, e admitiram que o lobby das empresas está dividido em relação a medidas que poderiam prejudicar alguns setores, como a indústria de cimento, que usa muita energia, e as empresas de geração elétrica.

"É difícil imaginar uma só voz", disse à Reuters Jim Rogers, executivo-chefe da empresa Duke Energy. "Na verdade, há muitas vozes. Uma solução de baixo (nível de emissão de) carbono irá tornar isso muito mais difícil. Há coisas básicas (com as quais concordamos): precisamos de um caminho claro adiante, agir agora e (impor) um preço ao carbono."

Analistas estimam que as empresas terão de entrar com cerca de 80 por cento do capital necessário para reduzir as emissões de carbono na economia.

"Deveríamos conversar entre nós antes (das reuniões da ONU) e passar nossas mensagens aos negociadores nacionais. O setor de cimento na China não é diferente do cimento na França. Temos muito a aprender com as ONGs", disse Bill Kyte, consultor climático da E.ON e do lobby setorial Eurelectric.

Grupos ambientalistas e de desenvolvimento estão altamente mobilizados nas negociações climáticas, fazendo com que sua voz seja ouvida por meio de protestos e ligações estreitas com os meios de comunicação.

Uma dificuldade na busca por uma voz única no setor empresarial é que os lobbies são muito amplos e estão focados na limitação da ação unilateral.

Nesta semana, por exemplo, a entidade Business Europe aconselhou a União Europeia a não aumentar sua meta de redução de emissões até 2020, conforme está cogitando, se não houver um acordo global.

Já a Câmara de Comércio dos EUA perdeu alguns membros ao seu opor ao projeto de lei climática nos EUA, já aprovado por estreita margem na Câmara dos Deputados. A entidade considera que as medidas contidas na lei serão um peso para as empresas.

Mas um executivo da Câmara de Comércio disse à Reuters que a entidade pode apoiar o projeto intermediário que tramita no Senado.

"Talvez a abordagem possa ser algo que forme a base para uma legislação que poderíamos apoiar, mas ainda há muito que resolver", disse Stephen Eule, na primeira reação da Câmara de Comércio à iniciativa apresentada na quinta-feira pelos senadores. "Acho que é uma boa base para começar."

(Reportagem adicional de Anna Ringstrom em Copenhague)

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