Empresas divulgam dossiê sobre selos verdes

Existem aproximadamente 600 selos "verdes" no mercado hoje em dia, mas o consumidor conhece pouquíssimos

Karina Ninni, estadao.br

24 Junho 2010 | 15h01

Foi divulgado nesta quarta o dossiê Rótulos Ambientais, resultado do trabalho conjunto das empresas Unomarketing, Mob Consult e Ideia Sustentável. O dossiê dá conta de que existem aproximadamente 600 selos "verdes" no mercado hoje em dia, mas o consumidor conhece pouquíssimos deles.

 

"Para se ter uma idéia, somente 6% dos consumidores conhecem o selo FSC - Forest Stewardship Council", diz Luiz Bouabci da Mob Consult. O mais conhecido entre os consumidores é o selo que indica que a embalagem em questão é reciclável (89% dos consumidores o reconhecem).

 

Ricardo Voltolini, da Ideia Socioambiental, diz que no Brasil o consumidor ainda está despertando para o chamado consumo consciente. "Pesquisas indicam que 15% dos brasileiros já "premiaram" alguma marca ou produto por seus atributos verdes e outros 10% pensaram em premiar, mas não o fizeram".

 

Uma grande fonte de dúvidas para o consumidor é a confiabilidade nos selos. Sobretudo porque há uma grande quantidade de selos "autoregulatórios", ou seja: são selos que não são auditados por nenhuma empresa "de fora" e que contam apenas com a chancela da própria empresa que comercializa os produtos.

 

"O problema dos selos autoregulatórios é que o consumidor só tem a garantia da própria empresa", diz Voltolini.

 

O primeiro selo verde do mundo surgiu na Alemanha, em 1977, por uma demanda do movimento ambientalista. No Brasil, o programa de rotulagem ambiental é de 1993, mas ficou paralisado por vários anos, até que a demanda do mercado ressuscitou no empresariado brasileiro a necessidade de voltar a atenção para o assunto.

 

Para Boubaci, é preciso que o governo tome alguma atitude para regulamentar a questão dos selos verdes.

 

"Enquanto não houver uma política pública voltada para a regulamentação dos selos verdes, o consumidor continuará tendo de se virar sozinho para saber o que é realmente fruto de uma política ecofriendly por parte das empresas, e o que se aproxima mais do greenwashing", resume.

 

Voltolini lembra que na França a legislação ambiental identifica o chamado "greenwashing" e prevê punição para as empresas que fazem "propaganda verde" sem o lastro de ações realmente ecofriendly.

 

< Certificação participativa

 

Uma tendência que começa a ser notada na certificação de orgânicos é a chamada "certificação participativa", na qual todos os envolvidos no processo de produção e consumo estão representados na entidade certificadora.

 

"A tendência de reunir vários stakaholders no processo de certificação é crescente, sobretudo no tocante a produtos difíceis de certificar", afirma Voltolini.

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