Empresários insatisfeitos com rumo da negociação climática

Líderes de grandes multinacioanis dizem que planos em discussão na oNu não estimulam investimento verde

Reuters,

14 Outubro 2009 | 14h26

O mundo pode ter de esperar até os últimos segundos de uma cúpula da ONU sobre a mudança climática para ver um acordo global para canalizar verbas privadas para uma economia de baixas emissões de carbono, disseram a indústria e analistas nesta quarta-feira, 14.

 

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Alto executivos advertiram que o progresso, até agora, nas conversações encabeçadas pela ONU é inadequado para garantir o futuro de um mercado de baixas emissões que possa transformar a forma como o mundo produz energia.

 

Embates políticos podem adiar um acordo até a meia-noite do último dia da cúpula marcada para o período de 7 a 18 de dezembro na capital dinamarquesa, disse o chefe do comitê ambiental das Nações Unidas, Rajendra Pachauri, que no entanto tem esperança de um acordo que ponha o mundo "no caminho certo".

 

"O espaço de manobra estará lá mesmo ao bater da meia-noite, quando a conferência estiver acabando", disse Pacahuri, presidente do Comitê Intergovernamental para a Mudança Climática, o IPCC.

 

O presidente da Agência Internacional de Energia (AIE), Nobuo Tanaka, está inseguro quanto aos resultados das conversações das Nações Unidas, que recomeçam em  Barcelona, em 2 de novembro, mas disse que a recessão global deu ao mundo alguma folga, causando a maior queda de emissões dos últimos 40 anos.

 

Líderes do setor privado dizem que as medidas tomadas até agora são inadequadas para mobilizar os bilhões de dólares necessários para converter a economia global a um modelo energético com menos desperdício e voltado para fontes alternativas.

 

"Não podemos esperar que as companhias invistam bilhões e bilhões de dólares se não estivermos convencidos de que haverá um mercado", disse o chefe de energia da General Electric, John Krenicki.

 

O principal executivo da geradora de eletricidade italiana Enel SpA, Fulvio Conti, disse que as conversações estão "desviando-se perigosamente" dos mercados de carbono favoráveis aos negócios.

 

A União Europeia é um centro desses mercados, e sua comissão executiva disse que pretende que os países em desenvolvimento atinjam certas metas antes de se qualificarem para se beneficiar as compensações oferecidas por esses mercados. "Enfrentamos o risco de critérios cada vez mais restritivos", disse Conti.

 

Krenicki disse que as indústrias lutarão para preservar suas patentes de energia limpa. Um grande obstáculo nas conversações tem sido a insistência dos países pobres de receber tecnologia de energia limpa gratuitamente.

 

"Somos totalmente contrários ao licenciamento compulsório, ele esmagará a inovação no setor verde", disse ele.

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