Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Empresários dizem que antecipação de meta de emissões foi positiva, mas pedem plano mais claro

Grupos responsáveis por quase 50% do PIB brasileiro querem a criação de um mercado regulado de carbono

Bruno Villas Bôas, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2021 | 22h03

RIO - O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), que reúne grupos responsáveis por quase 50% do PIB brasileiro, afirmou nesta segunda-feira, por meio de nota, que foi positiva a decisão do governo federal de anunciar na Conferência do Clima (COP-26), em Glasgow, a antecipação da meta de neutralidade de carbono de 2060 para 2050. O Cebds lembrou que o setor empresarial brasileiro defendia desde a Cúpula do Clima, em abril deste ano, que o Brasil antecipasse sua meta de neutralidade climática - ou seja, a data em que todas as emissões de gases do efeito estufa estivessem neutralizadas, seja pela eliminação dessas emissões ou pela compensação.

“Por isso, o anúncio de que o país tornará oficial o ano de 2050 como data limite para a neutralidade é positivo. É importante que esse compromisso venha acompanhado de um plano, metas e métricas claros, que aumentem agora a ambição climática do país”, afirmou o Cebds por meio da nota.

O grupo entende que a antecipação é essencial para o País ser bem-sucedido, aliada ao fim do desmatamento ilegal e à criação de um mercado regulado de carbono. Em setembro deste ano, o Cebds divulgou carta assinada assinada por líderes de grandes empresas brasileiras e estrangeiras e de entidades setoriais defendendo objetivos climáticos ambiciosos e o protagonismo do País nas negociações do clima.

Nesta segunda-feira, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, anunciou que o Brasil vai aumentar a meta de redução de gases poluentes de 43% para 50% até 2030 e que esse novo compromisso será oficializado na COP26. O governo brasileiro também anunciou que vai antecipar a meta de zerar o desmatamento ilegal de 2030 para 2028, e alcançar uma redução de 50% até 2027.

Um dos líderes do movimento de empresários que cobrou do governo federal o combate ao desmatamento da Amazônia, o presidente do grupo Suzano, Walter Schalka, elogiou o aumento da meta brasileira de redução de emissões dos gases do efeito estufa. Para o executivo, o governo Jair Bolsonaro (sem partido) teria dado, desta vez, dado um passo na direção correta.

“Eu tenho escutado críticas sobre o tema, de que seria uma pedalada. Algumas ONGs me ligaram. Nós, brasileiros, precisamos entender que, desta vez, o governo deu um passo na direção correta”, diz Schalka, que vai desembarcar nos próximos dias em Glasgow, na Escócia, para participar da 26.ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26).

Especialistas afirmam que o governo foi responsável por uma "pedalada climática" já que a meta de 43% de cortes nas emissões até 2030 tomava como base os lançamentos de gases estufa na atmosfera em 2005. Schalka reconhece que a base de cálculo não está ainda clara. “O que não podemos deixar de reconhecer é a evolução que o governo brasileiro teve no aumento da nossa ambição climática", reafirma.

Sobre a capacidade do País de cumprir essa meta, o presidente da Suzano afirmou que isso não é suficientemente claro em relação a nenhum País participante da conferência do clima. Para ele, o Brasil pode atingir a meta atacando o desmatamento ilegal, que responde pela maior parte das emissões de gases poluentes no País. Nesse ponto, ele cobra redução do desmatamento ilegal o quanto antes, já no próximo ano.

Questionado se o Brasil poderia ter sido mais ambicioso, o executivo afirma que nenhum País chegará para as negociações com todas as cartas na mesa. “Ninguém cede tudo antes dos outros países também cederem. O movimento do Brasil foi relevante. Talvez cheguem à conclusão que todos terão que ceder”, diz o executivo, para quem países desenvolvidos têm obrigação de apresentar metas mais ambiciosas.

Para ele, o anúncio de metas mais ambiciosas do que anteriormente colocadas podem contribuir para melhorar a credibilidade do Brasil na conferência, desde que Brasil se posicione sobre a questão do desmatamento da Amazônia, que considera o “calcanhar de Aquiles" do País.  “Fiquei positivamente impactado pela decisão do governo de ser mais ambicioso, mas obviamente precisaremos transformar isso em ação e realidade, mas foi um passo correto”.

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