Empresa que fornecia lixo para o Brasil 'já tinha sido multada quatro vezes', diz jornal

'The Times' diz que ainda assim Hills Waste Solutions recebeu contrato para gerenciar centros de reciclagem na Inglatrerra.

BBC Brasil, BBC

25 Julho 2009 | 10h52

Uma reportagem do jornal britânico "The Times" afirma neste sábado que uma das companhias que fornecia o lixo que chegou ao Brasil com resíduos perigosos já foi multada por razões ambientais quatro vezes.

De acordo com o jornal, no último processo, em dezembro de 2008, a Hills Waste Solutions admitiu ter falhado no controle dos níveis de lixívia, um líquido resultante da decomposição do lixo que pode conter metais pesados, como o arsênico.

Outras duas multas teriam sido aplicadas quando a companhia operava sob outro nome, Hills Mineral and Waste.

Apesar disso, a empresa recebeu um contrato de 20 anos para gerenciar centros de reciclagem em Swindon, no condado de Wiltshire, de onde o lixo provinha, apontou o jornal.

A reportagem põe em questão a confiabilidade da indústria de reciclagem britânica e a capacidade das autoridades de garantir a lisura ambiental do setor.

Empurra-empurra

O caso já levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a apontar o dedo contra a Grã-Bretanha e acusar o país de manter uma prática ambiental diferente do discurso.

Na quarta-feira, o ministério das Relações Exteriores do Brasil instruiu a Delegação Permanente em Genebra a apresentar, nos termos da Convenção de Basileia, uma denúncia de tráfico de resíduos perigosos provenientes da Grã-Bretanha.

Desde a descoberta do caso, a Hills Waste Solution trava com a Worldwide Biorecyclables, do brasileiro Julio da Costa, uma disputa de empurra-empurra em relação às responsabilidades de cada uma no contrato.

Em entrevista à BBC Brasil, Júlio da Costa afirmou que suas responsabilidades se limitam a prensar o plástico enviado por seus fornecedores e exportar o resultado para o Brasil, e que cabe à Hills Waste Solution separar o material que fornece.

Em uma nota divulgada na semana passada, a Hills Waste Solution disse que essa responsabilidade era da empresa do brasileiro.

Ouvida pelo "The Times", a empresa disse que é "extremamente improvável" que tenha enviado resíduos perigosos, como seringas e material hospitalar, para a empresa de Costa.

Mudança nas regras

O diário afirmou que o caso pode levar as autoridades ambientais britânicas a rever as regras da indústria da reciclagem.

Segundo o jornal, a empresa de Julio da Costa operava dentro de uma brecha legal que lhe evitar uma supervisão ambiental mais rígida.

Três pessoas foram presas no caso, e posteriormente liberadas, segundo o "Times". A agência ambiental britânica disse que as empresas pagarão pela carga enviada ao Brasil.

A diretora de gestão de resíduos da agência ambiental britânica, Liz Parkes, disse que "o governo britânico assumiu uma liderança global forte para combater o comércio ilegal de lixo, com objetivo de proteger as pessoas e o ambiente". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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