Emissões de metano do Ártico saltam 30% em 4 anos

Esta foi a região do mundo que teve maior aumento de emissão; fato pode indicar descongelamento

Reuters,

15 Janeiro 2010 | 14h58

As emissões de um potente gás causador do efeito estufa pela região ártica saltou 30% em anos recentes, num preocupante sinal de que o aquecimento global poderá liberar enormes estoques de metano aprisionados no solo congelado, dizem cientistas.

 

Ártico esquenta enquanto hemisfério norte segue congelando

 

"Ainda é cedo para dizer que se trata de uma tendência, mas se continuar desse jeito, haverá sérias implicações", disse Paul Palmer, pesquisador da Universidade de Edimburgo e que está entre os autores do estudo sobre emissão de metano por áreas alagáveis.

 

A elevação de 30,6% nas emissões do Ártico, no período 2003 a 2007, para cerca de 4,2 milhões de toneladas, foi o maior ganho porcentual para qualquer região alagável, segundo trabalho publicado na revista científica Science. O estudo foi feito em conjunto por pesquisadores da Escócia e Holanda.

 

As áreas alagáveis do Ártico respondem por a apenas 2% das emissões globais de metano desse tipo de local, que é mais comum nos trópicos. Mas muitos especialistas apontam para o risco de que a mudança climática venha a derreter o permafrost - o solo congelado - que retém bilhões de toneladas de metano, um gás causador do efeito estufa mais potente que o dióxido de carbono.

 

"É uma advertência que os cientistas vêm dando há algum tempo: o que estamos vendo são sinais do aquecimento global", disse Palmer. A maior parte das áreas alagáveis do Ártico estão na Sibéria e no Canadá.

 

Entre os gases do efeito estufa gerados por atividade humana, o metano é o que mais contribui para o aquecimento global, depois do dióxido de carbono. Embora seja mais potente, o metano é produzido em muito menor quantidade.

 

As temperaturas do Ártico estão subindo muito mais rapidamente que a média global. O recuo das capas de gelo expõe o solo e a água, mais escuros e, por isso, capazes de reter mais calor, acelerando o processo.

 

As emissões de metano globais têm sido imprevisíveis - o estudo destaca que as concentrações na atmosfera mantiveram-se relativamente estáveis de 1999 a 2006, com um crescimento renovado em 2007. Os anos de estabilidade ficaram "largamente inexplicados", diz o texto na Science.

 

As emissões de áreas alagáveis representam cerca de um terço das emissões globais de metano, de 540 milhões de toneladas, disse Palmer. Outras fontes significativas são combustíveis fósseis, gado e plantações de arroz.

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