Tiago Queiroz/ Estadão
Tiago Queiroz/ Estadão

Emissões de gases-estufa caem 2,3% no Brasil

Dados do Observatório do Clima relaciona redução com a queda na taxa de desmatamento na Amazônia

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2018 | 00h07

SÃO PAULO - As emissões de gases de efeito estufa caíram 2,3% no ano passado no Brasil em relação a 2016, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 22, pelo Sistema de Estimativas de Emissões de Gases (SEEG) do Observatório do Clima. A entidade relaciona a redução da taxa de desmatamento na Amazônia com a queda.

O levantamento aponta que foram emitidas 2.071 bilhões de toneladas brutas de gás carbônico equivalente (tCO2e) em 2017. No ano anterior, o índice foi de 2,119 bilhões. O CO2e consiste na soma de todos os gases de efeito estufa que foram convertidos no potencial de aquecimento do gás carbônico, que, no que diz respeito ao efeito estufa, é o mais abundante.

Na avaliação do Observatório do Clima, a retomada da fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) teve impacto na diminuição do desmatamento na Amazônia, que apresentou queda de 12% no ano passado, fazendo com que as emissões brutas por perda de floresta passassem de 601 milhões de toneladas para 529 milhões.

"As emissões brasileiras estão estabilizadas em um mundo que está crescendo. Faz bastante tempo que estamos parados no mesmo lugar e o volume de emissões é praticamente o mesmo de 1990. Mas, se olhar pela evolução, a emissão tem sido maior per capita do que as outras registradas no mundo", complementa Tasso Azevedo, coordenador-geral do SEEG.

Mas o resultado poderia ter sido melhor. O Cerrado, segundo maior bioma do Brasil, registrou aumento de cerca de 11% no desmatamento, o que fez com que as emissões saltassem de 114 milhões para 159 milhões de tCO2e.

A análise do CEEG leva em consideração a participação de setores da economia na emissão de gases de efeito estufa, entre elas agropecuária, energia e indústria. No caso dos processos industriais, houve aumento de 4% (de 95,6 milhões para 99 milhões de tCO2e) nas emissões no ano passado. No setor de energia, foi de 2% (de 424 milhões para 431 milhões de toneladas de tCO2e). A agropecuária apresentou queda de 0,9% (passando de 500 milhões para 495 milhões de tCO2e).

No ranking mundial, de acordo com o levantamento, o Brasil ocupa a sétima posição entre os maiores emissores dos gases de efeito estufa, com 3,2% das emissões. China (23,7%) e Estados Unidos (12,9%) são os primeiros colocados. A União Europeia fica em terceiro lugar, com 7,4%.

Para o coordenador-geral do Observatório do Clima, André Ferretti, o problema afeta os setores que têm relação com a emissão de gases e é necessário buscar soluções.

"É grave para os setores, como fica evidente para a agropecuária, porque ela perde solo e água, que são os bens principais. É uma incoerência, porque afeta toda a economia e desperdiça recursos naturais."

Ferretti, que também é gerente de economia da biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, afirma que é fundamental pensar em tecnologias mais sustentáveis, pois, em um futuro próximo, os modelos atuais de transporte e geração de energia, por exemplo, podem estar ultrapassados.

"As indústrias já falam em não ter mais motor à combustão. Onde vamos carregar os carros elétricos? Também precisamos de motores de energia eólica e placas solares adequadas para o nosso clima. O futuro não é só dos nossos netos, mas o nosso daqui a quatro ou oito anos."

Municípios

Pela primeira vez, a entidade realizou um levantamento das emissões de gases por município tendo como foco o Estado de São Paulo. Pelos dados de 2015, foi constatado que o município de São Paulo é o maior emissor de gases de efeito estufa. A cidade registrou 20,1 milhões de toneladas de tCO2e. Paulínia, Cubatão e São José dos Campos também aparecem no ranking.

"As emissões se concentram em municípios com muita gente ou com indústria. No caso da população, tem relação com o consumo de energia e o transporte, que é a principal fonte de emissão. Para reduzir, tem de haver o estímulo ao transporte coletivo", diz Azevedo.

Os municípios com menores emissões no Estado são: Taquaral (7.254 tCO2e), Trabiju (10.901 tCO2e), Nova Guataporanga (10.915 tCO2e), Cândido Rodrigues (12.518 tCO2e) e Arapeí (12.836 tCO2e).

A análise também verificou as emissões per capita no mesmo ano e o município de Alumínio (71 tCO2e/habitante) lidera o ranking, seguido de Paulínia (59 tCO2e/habitante), Borá (55 tCO2e/habitante), Brejo Alegre (54 tCO2e/habitante) e Ribeirão Grande (53 tCO2e/habitante).

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