Bruno Kelly/Reuters
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Emissões de CO2 no Brasil em 2014 se mantêm estáveis

Apesar de queda de 9,7% nas provenientes de mudanças no uso da terra, todos outros setores, em especial o de energia, subiram

Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

19 Novembro 2015 | 09h30

Atualizada às 14h51

SÃO PAULO - As emissões brasileiras de gases de efeito estufa apresentaram uma leve redução no ano passado em relação a 2013 e ficaram no patamar de 1,56 gigatoneladas de CO2-equivalente (Gt = bilhão de toneladas).  É o que mostram os dados do novo relatório do Sistema de Estimativa de Emissões dos Gases de Efeito Estufa (Seeg), divulgado nesta quinta-feira, 19, pelo Observatório do Clima.

O levantamento, que traz a emissões totais do Brasil e por setor econômico, é oferecido desde 2013 e feito paralelamente ao oficial do governo federal.

Entre seus principais resultados, o estudo mostra que apesar de ter havido uma queda de 9,7% nas emissões provenientes de mudanças no uso da terra, por conta da queda do desmatamento da Amazônia no período, todos outros setores, em especial o de energia, apresentaram alta, o que levou a taxa geral a ficar somente 0,9% menor que em 2013. Desde 2009, as emissões do País estão estáveis, em torno de 1,5 Gt.

Somente o setor de energia teve um aumento de 6% ao ano, apesar de a economia praticamente não ter crescido. É um reflexo da crise hídrica, que tem levado a um maior acionamento das termoelétricas, e também do aumento do consumo de gasolina e diesel no transporte. O dado confirma uma tendência dos últimos anos.

Como o Estado mostrou na edição desta quinta-feira, as emissões para geração de eletricidade subiram 171% entre 2011 e 2014. E a intensidade de carbono, ou seja, quanto CO2 é emitido por unidade de energia gerada, subiu de 32,26 para 133. O dado vem de outro produto que o Seeg lança Nesa quinta-feira - o Monitor Elétrico. Somente de 2013 para 2014 as emissões provenientes da geração de energia elétrica tiveram alta de 23%. 

Também contam no setor de energia as emissões dos transportes. De acordo com André Ferreira, presidente do Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente), grupo que fez esses cálculos, os transportes responderam em 2014 por 46% das emissões de energia, principalmente porque o consumo de diesel no País subiu 6,2% e o de gasolina, 5,3%.

“O curioso é que o consumo de diesel, como é praticamente todo para o transporte de carga, tem uma aderência direta com a economia. Mas nesse caso vemos níveis incompatíveis com a economia, que ficou estagnada no ano passado”, diz

Por conta desses aumentos, todo o setor energético já responde por 30,7%, o segundo mais emissor do Brasil. A mudança de uso da terra, categoria onde se encaixa o desmatamento, ainda é o líder, com 31,2%. Em terceiro vem a agropecuária, com 27%.

“Pela primeira vez na história, o setor de energia empata com as emissões de mudança do uso da terra e deve superá-las nos próximos anos se o desmatamento continuar caindo”, afirma Tasso Azevedo, coordenador do Seeg.

Esses dados se referem às emissões diretas de cada setor. Mas quando a lupa recai sobre as emissões indiretas de cada atividade econômica, a agropecuária se mantém a frente, respondendo por 60% das emissões do País. Entram na sua conta as emissões do desmatamento provocado para a abertura de terras para pasto e lavoura. Essa participação, porém, já foi bem maior, de 82% em 2000.

Sobre a estabilidade de emissões totais do País, Azevedo opina que há dois modos de observar esse dado. “É bom sem compararmos com países em desenvolvimento que em todo o mundo estão aumentando suas emissões. Mas se compararmos com nossos dados históricos completos, a gente tinha tido queda de emissões anteriores. Mesmo com a queda do desmatamento, ficou estabilizado pelo aumento da energia.”

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