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Emissões de CO2 estagnaram em 2014, segundo agência

Dados da AIE mostram que emissões foram iguais às de 2013; pela 1ª vez em 40 anos, há estagnação dissociada de crises econômicas

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

13 Março 2015 | 17h05

As emissões globais de dióxido de carbono estagnaram em 2014, de acordo com dados divulgados pela Agência Internacional de Energia (AIE). De acordo com a agência, é a primeira vez em 40 anos que as taxas de emissões permaneceram estáveis na ausência de uma desaceleração econômica. 

Segundo o relatório, em 2014 foram emitidas 32,3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono no planeta, exatamente a mesma quantidade registrada em 2013. A AIE atribui a estagnação aos esforços de mitigação de emissões feitos em todo o mundo - em especial a mudança nos padrões de consumo de energia na China e países da OCDE. 

"Isso me dá ainda mais esperança de que a humanidade será capaz de trabalhar unida para combater as mudanças climáticas, que são a mais importante ameaça que enfrentamos atualmente", disse o economista-chefe da AIE, Fatih Birol, recentemente nomeado para ser o próximo diretor-executivo da agência sediada em Paris, na França.

Em 2014, segundo a AIE, a China aumentou consideravelmente a geração de eletricidade a partir de fontes renováveis como a energia hidrelétrica, solar e eólica, diminuindo assim a queima de carvão. Nos países da OCDE, foram feitos esforços recentes para promover o crescimento sustentável - incluindo o aprimoramento da eficiência energética e o aumento das alternativas de energia renovável.

A AIE começou a coletar dados sobre as emissões de dióxido de carbono há 40 anos. Desde então, as emissões anuais só estagnaram ou caíram três outras vezes, mas sempre associadas a crises econômicas globais. A primeira foi em 1980, depois da recessão nos Estados Unidos, a segunda em 1992, após o colapso da União Soviética e a terceira em 2009, durante a crise financeira global. Em 2014, no entanto, a economia mundial cresceu 3%, de acordo com a AIE.

"Essa notícia é uma surpresa tão bem-vinda como significativa. Ela fornece a oportunidade que era necessária para os negociadores que estão se preparando para traçar um acordo climático global em Paris, em dezembro: pela primeira vez as emissões de gases de efeito estufa estão se dissociando do crescimento econômico", declarou Birol.

A AIE fornecerá mais detalhes sobre os dados em um relatório sobre energia e clima que será lançado no dia 15 de junho, em Londres.

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