Emergentes ignoram texto paralelo

Brasil, China, África do Sul e Índia se aliam para impedir que proposta da Dinamarca avance nas negociações

Andrei Netto e Afra Balazina, enviados especiais de O Estado de S. Paulo

17 Dezembro 2009 | 09h53

Os quatro grandes países emergentes aliados em Copenhague – Brasil, África do Sul, Índia e China, o grupo Basic – decidiram na madrugada de hoje trabalhar, a partir desta manhã, no aprofundamento dos textos-base da 15ª Conferência do Clima (COP-15) das Nações Unidas, ignorando a tentativa da Dinamarca de impor um documento unilateral aos 193 países reunidos. O objetivo é impedir que os ricos acabem com o Protocolo de Kyoto.

 

A decisão foi tomada em uma reunião sigilosa realizada em um escritório da China no Bella Center, em Copenhague, com participação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, do ministro de Meio Ambiente, Carlos Minc, e do diretor do Departamento de Meio Ambiente do Itamaraty, Luiz Alberto Figueiredo, pelo Brasil; do ministro do Meio Ambiente da Índia, Jairam Ramesh; e do negociador chefe da China, Xie Zhenhua. Com apoio do G77, o grupo dos países em desenvolvimento, o Basic deve forçar hoje a abertura de uma sessão de consultas multilaterais, baseada em dois textos-base: um sobre o Protocolo de Kyoto e outro sobre um eventual “Protocolo de Copenhague”. A versão que será utilizada no trabalho é a que foi redigida ontem pelos executivos Michael Cutajar, de Malta, e Luiz Figueiredo, do Brasil, numa tentativa de salvar as negociações, bloqueadas.

 

A ideia é fazer o processo de negociação andar, preservando os textos que melhor espelham as negociações entre os 193 países e ignorando a articulação da Dinamarca, que já foi acusada de tentar promover um acordo tendencioso em favor dos ricos. O documento nem sequer teria metas vinculantes de redução das emissões de CO2.

 

Impasse

A 48 horas do fim da COP-15, as negociações retrocederam ontem, voltando a pontos que vinham sendo discutidos desde a última sexta, quando o texto-base de um possível acordo foi divulgado. Contrários ao trecho do documento que trata do equilíbrio das metas de redução de emissões de CO2, os EUA vetaram o documento. A decisão levou países africanos a bloquearem os debates durante todo o dia, após uma madrugada de negociações.

 

Para completar a pressão, a presidente da COP-15, Connie Hedegaard, deixou o cargo em favor de seu chefe, o primeiro-ministro Lars Rasmussen. A decisão teria como objetivo elevar o nível do comando. “Com tantos chefes de Estado reunidos, é apropriado que o primeiro-ministro presida”, disse Connie. A saída, porém, gerou rumores, já que Connie ainda respondia a críticas sobre um primeiro texto dinamarquês, considerado tendencioso.

 

No primeiro ato, Rasmussen anunciou que a Dinamarca publicaria de forma unilateral um novo texto, sintetizando Kyoto e Copenhague. A iniciativa levou insatisfação ao plenário. Com o bloqueio, grupos de trabalho pararam e diplomatas passaram o dia sem negociar.

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