Emails violados fazem especialista britânico em clima se afastar

O diretor de um instituto britânico de pesquisas climáticas se afastou do seu cargo depois de ter sua correspondência eletrônica violada e usada por céticos como indício de que a questão do aquecimento global está sendo exagerada.

REUTERS

03 Dezembro 2009 | 09h22

Phil Jones, diretor da Unidade de Pesquisa Climática (CRU) da Universidade de East Anglia, vai se afastar "até a conclusão de uma revisão independente" sobre o caso, disse a universidade em nota.

"É um passo importante para garantir que o CRU possa continuar operando normalmente", disse o vice-reitor Edward Acton após aceitar o afastamento de Jones.

Batizando o caso de "Climagate", alguns críticos das teorias sobre mudança climática aproveitaram os emails de Jones, alguns deles escritos há 13 anos, e acusaram o cientista do CRU de conluio para eliminar dados que poderiam prejudicar seus argumentos.

Nos Estados Unidos, alguns políticos republicanos contrários ao projeto de legislação climática que tramita no Congresso entraram na polêmica, afirmando que os esforços regulatórios da Agência de Proteção Ambiental norte-americana se baseiam em uma "ciência dúbia".

A administradora da agência, Lisa Jackson, afirmou que o trabalho será mantido. "A esta altura, não vi nada que indique que os cientistas (...) tenham mudado o seu consenso (de que as ações humanas contribuem para o aquecimento global)", afirmou ela.

"Esses emails podem ter demonstrando alguns maus comportamentos (...), mas o que temos de olhar constantemente é a ciência", acrescentou.

O governo de Barack Obama quer aprovar no Congresso regras rígidas para o controle das emissões de gases do efeito estufa, mas diz que vai regulamentar a questão por conta própria se o esforço legislativo fracassar.

Céticos apontam nos emails frases em que os cientistas falam em usar um "truque" para "esconder o declínio" das temperaturas. Segundo tais céticos, isso seria uma prova de que os cientistas ajustam dados para que se encaixem em suas teorias. O CRU nega qualquer manipulação.

Os alertas científicos sobre o aquecimento global servirão de base para a reunião de 7 a 18 de dezembro em Copenhague, na qual governos de todo o mundo discutirão um novo tratado climático mundial.

O chefe do Painel Intergovernamental da ONU sobre a Mudança Climática (IPCC), Rajendra Pachauri, disse na semana passada à Reuters que o vazamento de informações não afeta as conclusões de 2007 do grupo segundo as quais há mais de 90 por cento de certeza de que as ações humanas estão contribuindo decisivamente para o aquecimento global.

"Esta comunicação privada de forma alguma danifica a credibilidade (...) das descobertas", disse ele, acrescentando que todas as conclusões são submetidas a rigorosas avaliações.

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