REUTERS/Bob Strong
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Em meio à polêmica, chefe da ONU para Meio Ambiente renuncia 

Auditoria indicou que norueguês passou apenas 20% de seu tempo em sede da agência, gastou mais de US$ 500 mil em viagens e não tinha justificativa para pelo menos 76 dias no exterior

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2018 | 17h19

GENEBRA - O chefe da ONU para o Meio Ambiente, o norueguês Erik Solheim, foi obrigado a renunciar depois que uma auditoria interna das Nações Unidas revelou gastos de viagens elevados e a violação de regras da entidade. 

Seu comportamento já tinha levado alguns dos maiores doadores à agência internacional a suspender pagamentos a determinados programas, o que estaria levando o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente à beira de uma crise. 

Em menos de dois anos, o norueguês gastou cerca de US$ 500 mil apenas em passagens aéreas e hotéis, um valor considerado elevado para uma organização que tenta reduzir custos. O fato de ele permanecer apenas 20% de seu tempo em seu escritório, em Nairobi, também gerou críticas por parte dos funcionários e de governos, num momento em que se fala abertamente na necessidade de reduzir emissões de CO2.

Dos 668 dias examinados pela auditoria, o diretor esteve fora da sede de seu escritório em 529 dias. Não havia ainda explicação para 76 dias que ele passou em Oslo ou em Paris, supostamente à trabalho.  Chamou ainda a atenção dos auditores uma viagem de ida e volta num fim de semana entre Paris e os Estados Unidos.

Para os auditores, seu comportamento estava representando um “risco de reputação” para a ONU e mesmo para o combate às mudanças climáticas.

Assim que as revelações primeiro foram publicadas, em setembro, o diplomata anunciou que estava devolvendo parte dos gastos e que estaria revendo sua agenda. Na semana passada, ele ainda manteve reuniões com a direção do PNUMA para tentar dar uma solução para a crise. 

Mas o gesto não teria sido suficiente. Países escandinavos e a Holanda anunciaram que não liberariam recursos para a ONU até que a questão fosse superada. Juntos, esses governos garantem um financiamento de US$ 50 milhões para os programas da ONU para meio ambiente.

Em Nova Iorque, os porta-vozes do secretário-geral, Antonio Guterres, confirmaram o pedido de demissão e indicaram que o português teria aceitado substituir o diplomata de Oslo.

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