Carolina Antunes /PR
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Em meio a desgaste com Bolsonaro, França busca diálogo direto com o Amapá

Governador do Estado é presidente de consórcio de desenvolvimento da Amazônia Legal e faz parte da ala mais crítica ao governo federal. País europeu antecipou ao Estado que a posição do G-7 seria mais conciliadora

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 18h08

BRASÍLIA - Com a tensão entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da França, Emmanuel Macron, a diplomacia francesa no Brasil usou canais de diálogo com o governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), para antecipar a posição do país em relação à Amazônia na reunião de cúpula dos países do G-7, ocorrida no domingo passado. Países europeus cogitavam aplicar sanções ao Brasil. E Macron chegou a falar em barrar o Acordo da União Europeia com o Mercosul.

Waldez Góes preside o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônial Legal, que reúne nove governadores. Ele faz parte da ala mais crítica a Bolsonaro no Consórcio e fez ponderações nesta terça-feira, 27, quanto à recusa do Brasil ao aporte financeiro de U$ 20 milhões anunciado por Macron.

O governador confirmou ao Estado ter recebido contato bilateral da França. O ministro conselheiro da embaixada, Gilles Pecassou, telefonou na madrugada de sábado para Góes, avisando que a França decidira tomar uma posição mais conciliadora no G-7, abrandando as expectativas. A cúpula dos sete países ricos se reuniu em Biarritz, no litoral francês. Na segunda-feira, Macron anunciou ao lado de Sebastian Piñera, presidente do Chile, a oferta de repasse de dinhiro.

"Ele me comunicou antes de acontecer, que a posição do G-7 seria diferente, que em vez de sanção vinha solidariedade, apoio financeiro e material", disse o governador Waldez Góes.

O embaixador da França no Brasil, Michel Miraillet, viajou a Paris para a Conferência Anual dos Embaixadores e das Embaixadoras com Macron. A reportagem apurou que Paris não está buscando contato, de forma individual, com todos os governadores dos Estados amazônicos.

A Embaixada da França no Brasil cultiva relacionamento próximo com o governo do Amapá, Estado que faz fronteira com a Guiana Francesa. Além de operações conjuntas, eles costumam promover eventos anuais na fronteira. A França reativou neste ano um consulado no Amapá.

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