Em meio à COP, Brasil anuncia aumento de desmatamento

A ministra Izabella Teixeira rejeitou a possibilidade de a notícia trazer um impacto negativo nas negociações

Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo - Enviada especial/ Varsóvia

14 Novembro 2013 | 20h23

O aumento do desmatamento é anuciando em um momento em que o País se apresenta diante do resto do mundo como a nação que promoveu as maiores reduções de emissões de gases de efeito estufa

Na Conferência do Clima da ONU, que é realizada em Varsóvia, na Polônia, o Brasil cobra um posicionamento mais ambicioso das outras partes e carrega na manga suas estimativas oficiais de emissões, que apontam para uma queda de 39% até 2010.

Nas últimas COPs, o País apresentou a boa notícia da gradativa queda ano a ano e, em 2012, o embaixador André Correa do Lago arrancou aplausos dos demais diplomatas ao anunciar a menor taxa da história. Neste ano, como a COP foi antecipada e o Inpe em geral só fechava os números do Prodes em dezembro, parecia que o País não traria esses dados para a conferência  - o que muita gente achou que era na verdade uma estratégia, porque o governo saberia que não viria a tal boa notícia.

A ministra Izabella Teixeira disse que não. Que só recebeu os dados do Inpe na quarta-feira à noite, que ficou até de madrugada analisando-os e que então resolveu divulgá-los. Os números, porém, vazaram no blog do jornalista Kennedy Alencar logo pela manhã. Hoje, dia 14, em Varsóvia, a delegação brasileira ficou meio sumida o dia inteiro, só voltando a aparecer quando Izabella já iria se manifestar.

Para o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, o aumento traz um sinal ruim para o Brasil na conferência, porque essa área é o único setor a apresentar redução das emissões. Todos os demais apresentaram aumento ao longo dos últimos anos. Num cálculo rápido, ele estimou que o aumento do desmate pode ter promovido uma emissão de 70 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera.

Em entrevista por telefone a jornalistas brasileiras que estão na COP, Izabella rejeitou a possibilidade de isso trazer um impacto negativo nas negociações. "O nosso compromisso é de natureza voltuntária e, além de tudo, vai até 2020. Naquele ano temos de chegar a uma taxa de 3.925 km2. Oscilou agora e estamos identificando as causas, mas vamos atuar e vamos diminuir isso de novo", disse.

Ela chega na terça-feira a Varsóvia, mas abreviou sua permanência para apenas dois dias. Volta já na quarta à noite para se encontrar na sexta com representantes dos Estados e municípios que tiveram as maiores altas do desmatamento. Quer pôr ordem na casa. Assume o seu lugar de chefe da delegação o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, que até o ano passado liderava as negociações climáticas do País.

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