Em Copenhague, Lula diz que reunião do clima 'não é jogo'

Presidente defendeu corte de 40% nas emissões globais até 2020.

Eric Brücher Camara, BBC

17 Dezembro 2009 | 14h21

Adotando um tom duro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na reunião das Nações Unidas sobre mudança climática nesta quinta-feira, defendendo cortes de 40% nas emissões globais até 2020 e afirmando que as negociações "não são um jogo em que se pode esconder as cartas na manga".

Em recado direto aos países desenvolvidos, Lula cobrou que o financiamento para os países pobres deixe de ser "tímida promessa ou miragem" e pediu metas claras de corte de emissões dos países desenvolvidos.

"Podemos ser todos perdedores", alertou o presidente sobre o risco de não se chegar a um acordo em Copenhague.

Além dos cortes de 40% até 2020, Lula defendeu ações imediatas para evitar que o aumento da temperatura global ultrapasse 2ºC.

Responsabilidade

Lula afirmou que os países em desenvolvimento também têm responsabilidade de contribuir no combate às mudanças climáticas, desde que auxiliados, mas lembrou que "mesmo na ausência de contribuições", muitos já apresentaram propostas dos países ricos.

A principal mensagem do presidente brasileiro, entretanto, foi dirigida aos líderes dos países industrializados que participarão da conferência em Copenhague.

"Não há lugar para conformismo. É preciso assumir metas à altura da responsabilidade histórica e da ameaça que a mudança climática representa", disse Lula.

"A convenção (do clima) estabelece a obrigação de apoio financeiro e tecnológico."

O líder destacou a fragilidade dos países pobres "que já sentem os efeitos da mudança do clima" e aproveitou para defender a manutenção do Protocolo de Kyoto, que vence em 2012, mas cuja extensão está sendo negociada em Copenhague.

"(Ele) não pode ser substituído por instrumentos menos exigentes", afirmou Lula.

Brasil

Diante da plenária, Lula listou as ações de seu governo no combate à mudança do clima, entre elas, a recente aprovação no Congresso da lei que prevê a redução das emissões do país entre 36,1% e 38,9% até 2020.

"Isso custará ao país US$ 16 bilhões por ano", disse. "Não é uma proposta para barganhar. É um compromisso."

Em seu discurso, Lula defendeu praticamente todas as questões que o Brasil vem negociando na reunião.

Entre elas, o uso limitado de mecanismos de mercado para financiar ações de combate ao clima. O Brasil resiste a um uso mais amplo de créditos de carbono para pagar ações como Redd (redução de emissões por desmatamento e degradação) e outros.

Nesta quinta-feira, Lula se encontra com os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e da Etiópia, Meles Zenawi, antes de participar de um jantar oferecido para os dignatários pela rainha da Dinamarca, Margareth 2ª.

Na sexta-feira, Lula e presidentes de cerca de 120 países, entre eles, o americano Barack Obama, devem assinar um acordo resultante do encontro de Copenhague. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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