Em confronto com ambientalistas, Rebelo apresenta lei florestal

As Organizações Não-Governamentais ambientalistas mandaram muitos ativistas para o plenário

Vannildo Mendes, da Agência Estado

08 Junho 2010 | 17h53

Em meio a um clima de confronto entre a bancada ruralista e os ambientalistas, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) concluiu a leitura do relatório sobre o projeto que altera o Código Florestal Brasileiro. O texto do relator dá autonomia para os Estados definirem os porcentuais de área de reserva legal e para flexibilizar a aplicação das leis ambientais. 

 

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O novo código também isenta pequenos produtores rurais com propriedade de até quatro módulos rurais da obrigatoriedade de cumprir os porcentuais de reserva legal - no caso da Mata Atlântica e caatinga, esse porcentual é de 20%; no cerrado, 35%; Floresta Amazônica, 80%. 

 

Os médios e grandes proprietários poderão, quando impossível cumprir a regra, fazer compensações em áreas de preservação coletiva, a serem definidas pelo Estado. Com isso, o novo texto legaliza a situação de 90% dos produtores rurais brasileiros que, segundo Aldo, estariam hoje colocados na ilegalidade, principalmente os das regiões Sul e Sudeste. 

 

O presidente da Comissão, Moacir Micheletto (PMDB-SP), encerrou a sessão após a leitura do relatório e convocou uma nova reunião para esta noite. A votação, no entanto, só deve ocorrer na tarde de quarta-feira. O deputado Ivan Valente (Psol-SP) representante da bancada ambientalista, protestou contra o texto e anunciou que vai pedir vista.

 

Ele acusou Aldo Rebelo de contratar a advogada Samanta Piñeda, que seria consultora jurídica do agronegócio, conforme informou o jornal O Estado de S.Paulo na edição desta terça-feira.

 

Presente à reunião, Samanta disse que não vê incompatibilidade na sua colaboração, porque é uma especialista no assunto. 

 

As Organizações Não-Governamentais (ONGs) ambientalistas mandaram muitos ativistas para o plenário e vários deles se manifestaram durante a sessão, levantando cartões vermelhos toda vez que Aldo anunciava alguma proposta considerada pelo grupo nociva ao meio ambiente. 

 

O relatório do deputado tem 309 páginas e ele se limitou a ler as primeiras 50 páginas de introdução, dando o restante por lido, o que gerou mais protestos ainda no plenário.

 

Segundo o ambientalista André Lima, presidente do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), o projeto relatado por Aldo representa um crime contra o meio ambiente brasileiro e um retrocesso, porque transfere toda a responsabilidade pela preservação ambiental exclusivamente para o poder público e "anistia todos os desmatadores que devastaram o meio ambiente até 2008".

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